quarta-feira, 23 de julho de 2014

CPLP: oficialmente, uma associação de malfeitores


E já está. A Guiné Equatorial, uma das ditaduras mais ferozes e um dos estados mais corruptos de todo o mundo, foi aceite pelo consenso dos seus pares na CPLP. A Comunidade de Países de Ladrões dos seus Povos substitui definitivamente a Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Pedro Passos Coelho, que juntou o seu aplauso à aclamação do ditador Teodoro Obiang, justificou-se dizendo que Portugal ficaria isolado caso se opusesse à inclusão na CPLP de um país que nem sequer fala português e onde os direitos humanos são violados todos os dias, por mais que Cavaco Silva divague em sentido contrário. Compreende-se. Por vergonha, qualquer pessoa de bem prefere ficar sozinha a sentar-se à mesa com um bandido. Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho nunca se envergonharam de comer à mesma mesa com José Eduardo dos Santos e a sua filha Isabel. Por medo, qualquer pessoa de mal prefere ficar sozinha a sentar-se à mesa com um bandido de outra quadrilha. Obiang agora já faz parte da família. Finalmente, por conveniência óbvia, qualquer bandido aceita o que quer que seja para evitar afastar-se de uma quadrilha que lhe assegura avultados proveitos. Não é segredo que os angolanos adquiriram o estatuto de donos de Portugal através de negócios e negociatas feitas com biliões roubados ao povo angolano. Sobre o novo estatuto da Guiné Equatorial escreve Ana Gomes: “a moeda de troca foram meia dúzia de contratos de construção, sem quaisquer garantias, assumidos por algumas empresas sob duvidosíssimo patrocínio político. E foi a prometida injecção de capital no BANIF, banco resgatado com dinheiro dos contribuintes. E ainda um possível investimento no BCP, já controlado pela petrolífera estatal angolana. Pergunto-me se ficarão descansados os accionistas, investidores e depositantes destes bancos e empresas, quando passam a depender e a ser identificados como parceiros de um regime notoriamente criminoso e sem escrúpulos, que enfrenta processos judiciais em França e nos Estados Unidos por criminalidade económica e financeira? E as entidades reguladoras, poderão considerar que estes são investimentos saudáveis e isentos de riscos para as instituições bancárias e para a economia portuguesa?”


Foto de quadrilha,: da esquerda para a direita, Primeiro-Ministro de Timor Leste, Xanana Gusmão, Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, Vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente, Primeiro-Ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, Presidente da República de Portugal, Anibal Cavaco Silva, Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, Presidente de Timor-leste, Taur Matan Ruak, secretário-executivo da CPLP, Murade Muragy, Presidente de Moçambique Armando Guebuza, Primeiro Ministro de São Tomé, Pinto da Costa, Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, Presidente da Assembleia Parlamentar da CPLP, Fernando Piedade Dias dos Santos, Vice-Ministro do MNE do Brasil, Paulo Pinto, em Díli, Timor Leste, 23 de Julho de 2014.

Gostei de ler: "como pensa a elite brasileira"


«A elite brasileira é engraçada. Gosta de ser elite, de mostrar que é elite, de viver como elite, mas detesta ser chamada de elite, principalmente quando associada a alguma mazela social. Afinal, mazela social, para a elite, é coisa de pobre.

A elite gosta de criticar e xingar tudo e todos. Chama isso de liberdade de expressão. Mas não gosta de ser criticada. Aí vira perseguição.

Quando a elite esculhamba [critica de forma rude, insultuosamente] o país, é porque ela é moderna e quer o melhor para todos nós. Quando alguém esculhamba a elite, é porque quer nos transformar em uma Cuba, ou numa Venezuela, dois países que a elite conhece muito bem, embora não saiba exatamente onde ficam.

Ideia de elite é chamada de opinião. Ideia contra a elite é chamada de ideologia.

A elite usa roupas, carros e relógios caros. Tem jatinho e helicóptero. Tem aeroporto particular, às vezes, pago com dinheiro público - para economizar um pouquinho, pois a vida não anda fácil para ninguém.

A elite gosta de mostrar que tem classe e que os outros são sem classe. Mas, quando alguém reclama da elite por ser esnobe, preconceituosa e excludente, é acusado de incitar a luta de classes.

Elite mora em bairro chique, limpinho e cheiroso, mas gosta de acusar os outros de quererem dividir o país entre ricos e pobres. O negócio da elite não é dividir, é multiplicar.

A elite é magnânima. Até dá aulas de como ter classe. Diz que, para ser da elite, tem que pensar como elite. Tem gente que acredita. Não sabe que o principal atributo da elite é o dinheiro. O resto é detalhe.





“Impostómetro”: tal como nos casinos os jogadores são
aliciados com painéis que indicam o valor do jackpot que
 cada um poderá ganhar, nas maiores cidades de todo o
Brasil foram colocados painéis com a indicação de um  valor
estimado das receitas fiscais cobradas até esse momento com
o propósito óbvio de gerar aversão aos impostos que pagam
os serviços públicos e um Estado social que nas mãos de
privados lhes oferece a  vantagem de gerar receitas privadas.
A elite reclama dos impostos, mesmo dos que ela não paga. Seu jatinho, seu helicóptero, seu iate e seu jet ski não pagam IPVA, mesmo sendo veículos automotores. Mas a elite, em homenagem aos mais pobres e à classe média, que pagam muito mais imposto do que ela, mantém um grande painel luminoso, o impostômetro, em várias cidades do país.

A elite diz que é contra a corrupção, mas é ela quem financia a campanha do corrupto. Quando dá problema, finge que não tem nada a ver com  a coisa e reclama que "ninguém" vai para a cadeia. "Ninguém" é o apelido que a elite usa para designar o pessoal que lota as cadeias.

A elite não gosta do Bolsa Família, pois não é feita pela Louis Vuitton.

A elite diz que conceder benefícios aos mais pobres não é direito, é esmola, uma coisa que deixa as pessoas preguiçosas, vagabundas. Como num passe de mágica, quando a elite recebe recursos governamentais ou isenções fiscais, a esmola se transforma em incentivo produtivo para o Brasil crescer.

A elite gosta de levar vantagem em tudo. Chama isso de visão. Quando não é da elite, levar vantagem é Lei de Gérson ou jeitinho.

Pagar salário de servidor público e os custos da escola e do hospital é gasto público. Pagar muito mais em juros altos ao sistema financeiro é "responsabilidade fiscal".

Quando um governo mexe no cálculo do dinheiro que é reservado a pagar juros, é acusado de ser leniente com as contas públicas e de fazer "contabilidade criativa". Quando o governo da elite, décadas atrás, decidiu fazer contabilidade criativa, gastando menos com educação e saúde do que a Constituição determinava, deram a isso o pomposo nome de "Desvinculação das Receitas da União" -  inventaram até uma sigla (DRU), para ficar mais nebuloso e mais chique.

A elite bebe água mineral Perrier. Os sem classe se viram bebendo água do volume morto do Cantareira.

A elite gosta de passear e do direito de ir e vir, mas acha que rolezinho no seu shopping particular é problema grave de segurança pública.

A elite comprou o livro de um francês, um tal Piketty, intitulado "O Capital no Século 21". Não gostou. Achou que era só sobre dinheiro, até descobrir que o principal assunto era a desigualdade.

A pior parte do livro é aquela que mostra que as 85 pessoas mais ricas do mundo controlam uma riqueza equivalente à da metade da população mundial. Ou seja, 85 bacanas têm o dinheiro que 3,5 bilhões de pessoas precisariam desembolsar para conseguir juntar. A elite não gostou da brincadeira de que essas 85 pessoas mais ricas do mundo caberiam em um daqueles ônibus londrinos de dois andares.

Discordou peremptoriamente e por uma razão muito simples: elite não anda de ônibus, nem se for no andar de cima.» – Antonio Lassance, no Carta Maior.