E já está. A Guiné Equatorial,
uma das ditaduras mais ferozes e um dos estados mais corruptos de todo o mundo,
foi aceite pelo consenso dos seus pares na CPLP. A Comunidade de Países de
Ladrões dos seus Povos substitui definitivamente a Comunidade de Países de
Língua Portuguesa. Pedro Passos Coelho, que juntou o seu aplauso à aclamação do
ditador Teodoro Obiang, justificou-se dizendo que Portugal ficaria isolado caso
se opusesse à inclusão na CPLP de um país que nem sequer fala português e onde
os direitos humanos são violados todos os dias, por mais
que Cavaco Silva divague em sentido contrário. Compreende-se. Por vergonha,
qualquer pessoa de bem prefere ficar sozinha a sentar-se à mesa com um bandido.
Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho nunca se envergonharam de comer à mesma mesa
com José Eduardo dos Santos e a sua filha Isabel. Por medo, qualquer pessoa de
mal prefere ficar sozinha a sentar-se à mesa com um bandido de outra quadrilha.
Obiang agora já faz parte da família. Finalmente, por conveniência óbvia,
qualquer bandido aceita o que quer que seja para evitar afastar-se de uma
quadrilha que lhe assegura avultados proveitos. Não é segredo que os angolanos adquiriram
o estatuto de donos de Portugal através de negócios e negociatas feitas com biliões
roubados ao povo angolano. Sobre o novo estatuto da Guiné Equatorial escreve Ana
Gomes: “a moeda de troca foram meia dúzia de contratos de construção, sem
quaisquer garantias, assumidos por algumas empresas sob duvidosíssimo
patrocínio político. E foi a prometida injecção de capital no BANIF, banco
resgatado com dinheiro dos contribuintes. E ainda um possível investimento no
BCP, já controlado pela petrolífera estatal angolana. Pergunto-me se ficarão
descansados os accionistas, investidores e depositantes destes bancos e
empresas, quando passam a depender e a ser identificados como parceiros de um
regime notoriamente criminoso e sem escrúpulos, que enfrenta processos
judiciais em França e nos Estados Unidos por criminalidade económica e
financeira? E as entidades reguladoras, poderão considerar que estes são
investimentos saudáveis e isentos de riscos para as instituições bancárias e
para a economia portuguesa?”
Foto de quadrilha,: da esquerda para a direita, Primeiro-Ministro de
Timor Leste, Xanana Gusmão, Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões
Pereira, Vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente, Primeiro-Ministro de
Portugal, Pedro Passos Coelho, Presidente da República de Portugal, Anibal
Cavaco Silva, Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, Presidente de
Timor-leste, Taur Matan Ruak, secretário-executivo da CPLP, Murade Muragy,
Presidente de Moçambique Armando Guebuza, Primeiro Ministro de São Tomé, Pinto
da Costa, Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, Presidente da
Assembleia Parlamentar da CPLP, Fernando Piedade Dias dos Santos, Vice-Ministro
do MNE do Brasil, Paulo Pinto, em Díli, Timor Leste, 23 de Julho de 2014.



