sábado, 19 de julho de 2014

Foi você que pediu um Governo do "arco dos Espírito Santo"?



Ambos os candidatos à liderança do PS têm evitado o mais possível falar em reestruturação da dívida, em rasgar o Tratado Orçamental e na possibilidade de um acordo de incidência parlamentar que viabilize não apenas um Governo de bloco central, também uma revisão constitucional que compatibilize a Lei fundamental com o que resta fazer do desmantelamento do Estado social que os três partidos do chamado "arco da governabilidade", e não sei como é que nunca ninguém se lembrou de chamar-lhe "arco dos Espírito Santo", iniciaram vai para mais de 12 anos. Por tudo isto, merece a pena destacar com todo o respeito a excepção à regra da omissão feita por aquele que parece ter mais condições para sair vencedor da   disputa interna pela liderança do Partido Socialista: «Se for candidato a primeiro-ministro e não conseguir a maioria absoluta, António Costa garante que "não faz o menor sentido" construir uma alternativa com este PSD, mas se na sequência da derrota eleitoral os sociais-democratas mudarem de liderança, a conversa é outra. "Se me diz: o PSD perde as eleições e muda e aparece outra direcção e tem outra política... Se o PSD for outro PSD com certeza que a conversa também é outra conversa", disse o autarca de Lisboa.» Gostei tanto da expressão "outra política" como da sua tradução em "outro PSD". A "outra política" é a mesmíssima austeridade, com a diferença de que na versão "socialista", com Tratado Orçamental, ostenta o rótulo "fofinha", uma austeridade "light" que apenas o é até ao dia das eleições. Os franceses sabem-no melhor do que ninguém.