Assistência aos empresários. Pôr todos
os contribuintes a subsidiar salários a empresas. Os estágios profissionais
duram no máximo um ano. O Estado paga entre 80% e 100% do salário contratado
pelas empresas. O programa Estímulo Emprego dura até 18 meses e garante às empresas
um desconto suportado por todos os contribuintes entre 50 e 60% sobre o salário
que estas pagam aos seus empregados. Fazer depender o recebimento do subsídio de
desemprego, direito que cada desempregado constitui através de descontos realizados
sobre o seu próprio salário, de trabalho gratuito ou quase gratuito obrigatório para entidades
públicas e privadas. O Governo retirou 161
868 portugueses às estatísticas do desemprego através destes planos de fomento
do trabalho comparticipado. A taxa de desemprego está oficialmente
contabilizada em 15,1% da população activa. Se lhe adicionarmos os valores
deste "emprego artificial", trepa imediatamente para 18,2%, valor que
peca por defeito por excluir os 61.700 portugueses com menos de 34 anos que
emigraram só nos primeiros três meses deste ano e as centenas de milhar de desencorajados
que as estatísticas contabilizam como população inactiva. A taxa de desemprego tem vindo a diminuir, pois tem. E somos
todos nós, contribuintes e desempregados, que estamos a pagar o milagre. Mais
de noventa por cento dos postos de trabalho conseguidos através da intervenção
do Instituto do Emprego e Formação Profissional foram subsidiados pelo Estado.
Não há milagres grátis, mas há trabalho grátis, o que vai dar quase ao mesmo.
Que o digam todos os empresários bafejados pelo milagre de poderem enriquecer à
nossa custa. Abençoada crise. Bendito ajustamento.
Vagamente relacionado: O Fundo de Garantia
Salarial (FGS) da Segurança Social tem-se recusado a pagar salários e outros
créditos a trabalhadores de empresas que têm planos de recuperação a correr nos
tribunais. Esta decisão abrange tanto as empresas insolventes que estão a
tentar viabilizar-se, como as empresas que recorreram ao Processo Especial de
Revitalização (PER), uma alternativa à insolvência. Os sindicatos alertam que
podem estar em causa perto de três mil trabalhadores. Alguns não se
conformaram, recorreram à justiça e já há pelo menos duas
sentenças que lhes são favoráveis.
