domingo, 13 de julho de 2014

Os salvadores da esquerda



Foram ambos punidos nas urnas nas mesmas eleições e pelo mesmo motivo, o de se afirmarem de esquerda no discurso e revelarem-se tão ou mais de direita do que os partidos de direita na acção. A crise interna que se instalou no PSOE espanhol era tão antiga como a que rebentou ao mesmo tempo no seu homólogo português. O PSOE pode a partir de hoje orgulhar-se de já ter conseguido arrumar a casa. Pedro Sanchez é o novo líder dos socialistas espanhóis. Já os socialistas portugueses, apesar da rebaldaria quotidiana de cenas tristes com que nos vão brindando apenas ter data prevista para terminar depois do final do Verão, podem orgulhar-se dos aliados que vão ganhando todos os dias mesmo sem sabermos que PS teremos depois das primárias e mesmo sem falar sequer em programas. O Público titula "Ana Drago e Daniel Oliveira admitem aproximar-se do Livre e do PS". De um partido que ajudaram a fazer em fanicos directamente e de braços abertos para outro que está em frangalhos, ali com uma coisa que também ninguém sabe o que é pelo meio mas que tem todo o aspecto de trampolim  político  ao serviço de ambições pessoais. Os trampolineiros dizem que vão unir a esquerda. Gosto muito de os ouvir falar.

Era uma vez um partido (continuação da continuação)


Ontem a desintegração do Bloco de Esquerda anoiteceu com o anúncio da desvinculação da corrente Drago para hoje amanhecer com sinais de que a corrente Fazenda estará prestes a fazer o mesmo. São dois bateres de porta com sonoridades diferentes, o primeiro soa mais a tacticismo e a carreirismo político, o segundo mais a divergências de natureza estratégica e ideológica e a falta de paciência para aturar disparates. Seja lá como for, é impossível deixar de constatar que os responsáveis pelo naufrágio do BE podem identificar-se com a mesma facilidade com que se identificam os responsáveis pelo naufrágio do BES: ambos insistem que está tudo bem e que toda a situação é fruto de manobras orquestradas pelos inimigos do navio respectivo. Hão-de afundar a dizer o mesmo.