![]() |
| Na foto: o smog chinês chegou a um extremo tal que as autoridades de Pequim colocaram ecrãs gigantes para transmitir imagens do nascer e pôr-do-sol |
Quase toda a gente gosta da
natureza, dos passarinhos, do verde arvoredo. E quase ninguém gosta de pagar
impostos. O desafio que o Governo lançou àquela que baptizou de “Comissão da
Reforma da Fiscalidade Verde” foi o de tentar convencer os primeiros a pagar
mais dos segundos chamando-lhes “impostos
verdes”, muito amiguinhos do ambiente e alegadamente “neutros”. As pessoas
gostam de coisas “neutras” tanto ou mais do que gostam da natureza, mesmo que o
verde em questão passe por aumentar ainda mais os impostos sobre produtos
petrolíferos – a tonalidade dos que já existem entretanto desbotou com a
necessidade de desviá-los para pagar juros à finança que nos tem a saque – e mesmo
que a “neutralidade” em causa passe pela organização de um peditório nacional
diário coercivo em cada caixa de supermercado, onde cada português passará a
ser obrigado a contribuir com 10 cêntimos por cada saco plástico para ajudar aindústria automóvel a vender veículos eléctricos, híbridos ou utilitários com
baixas emissões, independentemente destes portentos da ecologia poderem ter
sido produzidos num daqueles países aos quais a Europa continua a permitir transformar
crimes ambientais num factor de competitividade que atrai para lá as empresas
que por cá vão deixando atrás de si multidões de desempregados. Se servissem a
causa da sustentabilidade ambiental do planeta e não apenas para dizer umas
coisas, seria sobre barreiras alfandegárias à importação destas produções que
associações ditas ambientalistas como a Quercus reagiriam a mais uma subida de
impostos que de verde só têm o nome. Seria pedir demasiado. Os
ambientalistazinhos ficaram muito contentes com uma reforma fiscal que corrige maus hábitos como o de não
andarmos sempre com uma dúzia de sacos no bolso. É assim que estes amigos da natureza acham que se vai salvar o planeta. O Governo conta com eles para mais um assalto fiscal.

