segunda-feira, 23 de junho de 2014

A paixão da Educação (em números)


David Justino, no Governo de Durão Barroso, encerrou 472 escolas. Nos Governos de José Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, primeiro, e Isabel Alçada, a seguir,  fecharam mais 2500 e 711, respectivamente. Nuno Crato, na era Passos Coelho, decretou 500 encerramentos no primeiro ano e agora prepara-se para fechar mais 311. Temos, portanto, que dois Governos PS encerraram 3211 escolas e dois Governos PSD encerraram 1283 escolas. Há que dizê-lo, algumas teriam mesmo que encerrar por terem ficado praticamente sem alunos. Mas tantas? São 4494 escolas no total. Deixa de haver escolas porque o interior se desertifica ou o interior vai-se desertificando por (também) deixar de haver escolas? Já agora, e quanto custa a desertificação do interior do país? Em incêndios florestais, por exemplo. Ou em velhices solitárias.


Vagamente relacionado: «Anda meio mundo embasbacado por Maria Luís Albuquerque ter decidido vender a um espanhol por 2800 euros apenas, a pitoresca casa fronteiriça da Guarda Fiscal em S. Gregório, Melgaço (…)» (continuar a ler)

A copa é nossa


Quatro secos na derrota com a Alemanha, um empate a dois com os Estados Unidos e agora o apuramento para a fase seguinte obriga a selecção nacional de futebol a vencer por goleada ao Gana, esse misterioso país africano onde se diz que a corrupção é o pão nosso de cada dia. Não quero estragar a festa a ninguém, mas segundo este ranking de percepção da corrupção da Gallup, Portugal e Gana aparecem empatados com os mesmos 79 pontos nos lugares 62 e 60, dado que é capaz de dizer alguma coisita sobre o uso que damos à nossa democracia e à escolarização que esta nos proporcionou, mas que pouco ou nada nos diz sobre a capacidade dos portugueses e dos ganeses para resolverem um desafio ao pontapé. Podemos, por isso, continuar a acreditar que somos muito melhores do que eles. Nós temos o Cristiano Ronaldo. Sobretudo, temos a capacidade de acreditar que ganhar ao Gana por 5 ou por 8 é tarefa incomparavelmente mais fácil do que igualar os indicadores de desenvolvimento do Gana no final dos 30 anos de austeridade que temos pela frente se não soubermos ver-nos livres daquele centrão que, com responsabilidade e sentido de Estado, já nos empatou com eles no campeonato da percepção dos negócios dos seus apetites. Fazer o quê? Todos juntos, toca a torcer pela nossa selecção. A vida é nossa.