Segunda semana de campeonato do
mundo de futebol, segunda semana de alienação geral. Semana ideal para começar
a preparar mais um choque de frente com a Constituição. Cortes nas rendas da
energia, conforme constava no memorando e novamente reivindicado por
gestores e empresários? Nada disso. Os cortes nas rendas garantidas não têm
nada de inconstitucional. São outra vez ainda mais cortes salariais na função
pública, a irresponsabilidade de um Governo que, a coberto de um Tribunal Constitucional que
puxa do “interesse público” para justificar a sua falta de coragem para anular mais
cinco meses de confisco de salários à revelia da CRP, ignora os efeitos da sua obsessão
sobre as vidas do número
cada vez maior de famílias que deixa de poder pagar o crédito da casa e sobre
o malparado que se vai acumulando nos bancos. A nota que o Governo pôs a circular
na imprensa para apresentar os novos cortes vem redigida com o seguinte texto: “A
nova Tabela Remuneratória Única (TRU) da função pública, que entrará em vigor
em 2015, será alargada de forma a integrar todas as carreiras e cargos do
sector público – incluindo professores, reitores, magistrados, inspectores,
médicos – e terá em conta os salários praticados no sector privado.” Excelente.
O Governo desta vez até conseguiu descobrir magistrados e inspectores no sector
privado. Os sacanas andaram anos a fio a trabalhar às escondidas mas finalmente foram descobertos.

