terça-feira, 10 de junho de 2014

As aventuras de um homofóbico em Bruxelas

Desta vez, o MPT não concorreu na mesma lista que o PSD. Aposta ganha.

Prossegue a epopeia Marinho Pinto nessa Europa para onde 234.603 portugueses quiseram mandá-lo em sua representação. Depois da humilhação da rejeição pelos Verdes europeus, que não estiveram para ter um homofóbico sentado na sua bancada no PE, a escolha do nosso justiceiro dos sete costados foi ir bater à porta dos Liberais para ver se desta vez a coisa corre melhor e finalmente encontra quem lhe dê abrigo. A aventura parece estar bem encaminhada para ter um final feliz, mas nestas bolandas nunca se sabe. A saga segue dentro de momentos. E as informações valem o que valem, de acordo com o uso que lhes é dado e com a capacidade que quem as recebe tem de acreditar naquilo que quer.

Como situar Marinho Pinto no espectro político? Se o fizermos com base nas escolhas do próprio, quer Verdes, quer Liberais estão para lá do centro, a escolha para segundas núpcias mais à direita do que a primeira. De esquerda é que Marinho Pinto não é com certeza. Mas se olharmos para a recolha de opiniões feita pela Pitagórica para o jornal I verificamos que 40,2% "acham" que Marinho Pinto é um político de esquerda, 18% dos inquiridos situam-no no centro-esquerda, 18,6% na esquerda e existem mesmo 3,6% que não hesitam em situá-lo na extrema-esquerda. Para 1,4% Marinho Pinto está na extrema-direita enquanto apenas 6,1% o localizam no centro direita e 4,7% na direita: 12,2% dos inquiridos situam-no à direita do centro. 47,6% não o situam em lugar nenhum. Seja lá como for, mais de 30% querem-no a concorrer às legislativas e depois às presidenciais. E o populismo está-se bem nas tintas para "essas coisas ultrapassadas de esquerda e de direita".

* * * * * Propaganda * * * * *


A notícia que na noite de ontem o Ministério de Nuno Crato pôs a circular é um bom exemplo de como o actual Governo brinca com a percepção e com o dinheiro dos portugueses ao mesmo tempo que vai destruindo a Escola pública e as vidas de milhares de profissionais da Educação. O título – "Governo pretende financiar menos 64 turmas em colégios já no próximo ano" – é bastante claro quanto ao seu objectivo de injectar na opinião pública a ideia de que os cortes também já estão a chegar aos colégios privados com contrato de associação.
Quem continuar a ler verifica que afinal não são bem 64 turmas, podem ser apenas 44. E de 44 a 64 num universo de quantas? O texto é omisso quanto ao total de turmas que estão a ser financiadas. Apenas diz que as últimas estatísticas da educação disponíveis são de 2012 e apontam para 373.847 inscritos no ensino particular e cooperativo, do pré-escolar ao secundário, mas se nos dermos ao trabalho de procurar um pouco mais ficamos a saber que o universo é de 1809 turmas. Vezes 81.023 euros de subsídio por turma dá a módica quantia de 146,57 milhões, dos quais o Governo diz que, graças a aturadíssimas negociações  e não à bruta, como faz nas escolas do Estado, vai poupar 5 milhões. 5 em  146,57 milhões corresponde a uma redução de 3,41%, 64 em 1809 turmas a uma redução de 3,53%  e 44 em 1809 a não mais do que uma variação negativa de 2,43%.
Tudo a ver com a brutalidade dos 1,1 mil milhões que o Governo reduziu em 3 anos aos cerca de 8 mil milhões de euros orçamentados para a Educação em 2011, uma variação negativa de 13,75% em três anos, o triplo do previsto no mesmo memorando que também mandava reduzir as transferências para escolas privadas com contratos de associação que ficaram por fazer, apesar da ilegalidade que é o traço comum de grande parte destes financiamentos, nomeadamente o financiamento de escolas que, porque funcionam a pouquíssima distância de escolas do Estado, nunca poderiam receber um cêntimo sequer. Mas recebem milhões.
"Os contratos de associação são os contratos que o ministério assina com escolas privadas em zonas onde não há oferta pública suficiente. O novo estatuto do ensino particular e cooperativo prevê que, no futuro, o Estado possa financiar colégios, através de contratos de associação, também noutras circunstâncias, mas isso não foi ainda regulamentado." A propaganda teve o cuidado de branquear a ilegalidade na primeira frase e de   sublinhar como será resolvida sem fazer perigar o interesse privado na segunda.


(corrigido)