Às oito, a seguir às primeiras projecções, Quem sentia que
iria ganhar qualquer coisa falou da sua própria vitória, quem suspeitava que
não iria ganhar grande coisa preferiu sublinhar os resultados dos outros. O PS falou
da derrota
do Governo, o PSD comentou a vitória escassa do PS e a abstenção recorde de
2/3. O CDS nem piava. A CDU festejava os seus três, eventualmente quatro
deputados. E o Bloco de Esquerda começava a pensar no que dizer para justificar
que a sua liderança bicéfala está a um ou dois Marinhos Pintos de conseguir
fazer o partido implodir de vez.
Às dez, os primeiros resultados
davam uma vitória muito menos expressiva do que se esperava das candidaturas
das forças partidárias que subscreveram primeiro o memorando com a troika e
depois o prolongamento desse memorando para todo o sempre quando aprovaram o
Tratado Orçamental. Francisco Assis fez bem em falar imediatamente a seguir às
primeiras projecções. Com 306 em 308 concelhos apurados, a vitória socialista
às dez era ainda mais escassa do que às oito. Nem com PSD e CDS juntos a não
valerem 28% dos votos o PS conseguiu chegar aos 32% ou, como comentaram os
resultados uns dos outros, nem com o PS reduzido a uns escassos 31,5% o PSD
coligado com o CDS se livrou de se ficar pelos 27,7%,, o seu pior resultado
eleitoral de sempre concorrendo sozinho.
António José Seguro nem por isso
se coibiu de tentar mascarar o mau resultado dizendo que o seu partido está
preparado para governar. Com a aritmética que emerge destas europeias, o PS
apenas conseguirá governar com maioria parlamentar coligado com o PSD, só com o
CDS já não chega. Vai ser difícil vender
aquele discurso de mudança ontem ensaiado nestas condições. Outra boa notícia é
a de que, juntos, os três partidos do centrão começam a ficar longe dos 66,6%
necessários para aprovarem as alterações à Constituição que tornem
constitucionais os próximos capítulos da austeridade que elegeram como sua
política oficial. A penalização dos partidos da troika é o sinal mais forte
deixado por estas europeias. Mas há mais sinais. À esquerda, a
CDU poderá dobrar o número de eurodeputados apesar de nestas eleições Portugal eleger
menos um deputado. Em sentido inverso, o Bloco de Esquerda perdeu metade do eleitorado
e dois dos três mandatos que tinha. A CDU conseguiu capitalizar o descontentamento
de mais cinco anos de austeridade. O Bloco conseguiu diluir-se quer nesse descontentamento, querem descontentamentos
de produção caseira. Marinho Pinto logrou mesmo ultrapassar o Bloco e o MPT é agora
a quarta força partidária. A chegada da praga do populismo a Portugal é a grande
novidade destas eleições. A da extrema-direita fica para uma próxima.
A pobreza generalizada e o desespero já começaram a povoar a Europa dos fantasmas que o bem-estar social teve o condão de afastar. A Europa da paz social ontem começou a pertencer ao passado. As abstenções gigantescas verificadas em toda a Europa e a expressão eleitoral que agora têm populistas, eurocépticos e xenófobos para todos os gostos e desgostos deixam a ameaça no ar. Se eurocratas e Governos nacionais não alterarem rápida e substancialmente a sua forma de actuação no sentido e na forma, a qualquer momento a Europa poderá mergulhar no pesadelo mais inesperado.
A pobreza generalizada e o desespero já começaram a povoar a Europa dos fantasmas que o bem-estar social teve o condão de afastar. A Europa da paz social ontem começou a pertencer ao passado. As abstenções gigantescas verificadas em toda a Europa e a expressão eleitoral que agora têm populistas, eurocépticos e xenófobos para todos os gostos e desgostos deixam a ameaça no ar. Se eurocratas e Governos nacionais não alterarem rápida e substancialmente a sua forma de actuação no sentido e na forma, a qualquer momento a Europa poderá mergulhar no pesadelo mais inesperado.
