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Alfredo Barroso, fundador do PS, foi
ontem a Coimbra manifestar a sua intenção de votar no BE para o Parlamento
Europeu, justificando-se com o facto de os bloquistas atacarem o odioso Tratado
Orçamental. “Sempre com medo de enfrentar a direita europeia, este PS não
parece apostado em romper com o rotativismo, a alternância, manifesta intenção
de fazer alianças com a direita”, afirmou, para criticar a “ilusão” de que se
pode cumprir um plano de austeridade para o país com “mais doçura”. (Público)
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Há candidaturas pró e há candidaturas contra o Tratado Orçamental da ultra-austeridade até ao final dos tempos. Por alguma razão – a desonestidade política tornada endémica na ausência de votos que a sancionem – houve candidaturas que tudo fizeram para que tema tãocentral não fosse discutido na campanha. Este será sempre um dos critérios mais importantes de qualquer leitura dos resultados destas eleições. A sua inspiradora, Angela Merkel, bem como os seus homens e mulheres de mão de Bruxelas e de Estrasburgo, irão conhecer o grau de receptividade dos portugueses às novas doses a que o Tratado obriga. Não contribuirei com o meu voto para que esse sinal seja um “podem continuar que nós aguentamos”.
Da mesma maneira, os partidos que
o aprovaram, PSD e CDS, da Aliança Portugal, e PS terão um bom indicador sobre
a folga de que ainda dispõem para conseguirem acabar o trabalho que iniciaram
no início do milénio sem perderem nas urnas o poder que necessitam para
concluir a empreitada. Também não será o meu voto que irá alimentar essa folga.
Nem nos sonhos mais malucos alguma vez votaria Aliança Portugal. Era o que
faltava que depois de terem feito dos últimos três anos o maior inferno do
pós-democracia PSD e CDS não obtivessem agora uma estrondosa derrota eleitoral.
E era o que faltava que o estrondo dessa derrota ecoasse na vitória do Tratado
Orçamental a que o PS também se amarrou. Não há “austeridade inteligente” nem
austeridade “docinha”. Votar PS também não é nada boa ideia.
Quero dizer um basta de
subserviência aos eurocratas da senhora Merkel. Estou para lá de farto de ver a
austeridade a fazer o progresso andar para trás. De ver ricos feitos à custa de
uma miséria que se vê alastrar a olhos vistos. Do tal país que melhora porque a
vida das pessoas piora. Portanto, porque o que se rejeita combate-se, O meu
voto terá forçosamente como destino uma candidatura que se oponha frontal e
coerentemente à continuidade das políticas que têm destruído o meu país, para
uma das duas forças partidárias que irão sempre merecer o meu respeito enquanto
continuarem a dar o seu melhor para defenderem como defendem, intransigentemente
e sem subterfúgios, os meus e o interesse nacional e enquanto continuarem a cumprir escrupulosamente os compromissos eleitorais com que
se apresentam a votos. Retribuir com um voto o bom trabalho de quem todos os
dias se bate por nós é o mínimo dos mínimos. E há duas candidaturas que
preenchem estes requisitos: CDU e Bloco. Na impossibilidade de votar numa
coligação que os juntasse, sou obrigado a escolher.
E a escolha não é nada difícil. Votarei
Bloco de Esquerda. O Bloco tem um discurso mais consistente em questões que
considero fundamentais: reestruturar a dívida, sim ou sim, permanecer no euro
sem a chantagem constante que vai perpetuando a austeridade que nos destrói e
nos tem a saque, permanecer ou sair do euro consoante seja mais vantajoso para
Portugal e comporte menos custos económicos e sociais. . Não me tem agradado
que a CDU venha mantendo um discurso ambíguo quanto à saída ou permanência no
euro, ora dizendo-se completamente a favor, ora propondo um referendo, ora
admitindo todos os cenários. O mesmo relativamente à reestruturação da dívida,
que às vezes rejeita e outras não se percebe o que quer.
Também não me agrada aquela
ortodoxia que continua a impedir que A CDU consiga fazer outra coisa que não rejeitar
qualquer tipo de concertação com outras forças partidárias no Parlamento
Europeu. Não esteve ao lado da esquerda europeia quando esta conseguiu pôr
termo ao abuso do roaming que durante anos foi uma das minas de ouro das
multi-nacionais de telecomunicações europeias. O mesmo na votação da Taxa Tobin
sobre as transacções financeiras. O PCP endeusa a cleptocracia angolana, Isabel dos Santos é accionista de empresas de telecomunicações e de bancos, não sei, ficou-me a suspeita.
O Bloco é membro do Partido da Esquerda Europeia, ao lado do Syriza grego, da Esquerda Unida espanhola e da Frente de Esquerda francesa, que inclui o PCF. Como reconhecimento do importantíssimo e bem sucedido combate político que tem sido travado na Grécia, um foco de mudança no rumo seguido nesta Europa à deriva que há que incentivar o mais possível, O Bloco apoia a candidatura de Alexis Tsipras, do Syriza, à presidência da Comissão Europeia. O PCP, pelo contrário, mantém relações de proximidade com o QE estalinista grego, que rejeita qualquer entendimento interno com o Syriza e o ataca sistematicamente.
O Bloco é membro do Partido da Esquerda Europeia, ao lado do Syriza grego, da Esquerda Unida espanhola e da Frente de Esquerda francesa, que inclui o PCF. Como reconhecimento do importantíssimo e bem sucedido combate político que tem sido travado na Grécia, um foco de mudança no rumo seguido nesta Europa à deriva que há que incentivar o mais possível, O Bloco apoia a candidatura de Alexis Tsipras, do Syriza, à presidência da Comissão Europeia. O PCP, pelo contrário, mantém relações de proximidade com o QE estalinista grego, que rejeita qualquer entendimento interno com o Syriza e o ataca sistematicamente.
Não quero de forma alguma que
estas linhas sejam entendidas como ataque ao PCP. O PCP oferece como garantia
fazer tudo o que estiver ao seu alcance contra o malfadado Tratado Orçamental.
Só isto vale bem um voto. Mas o Bloco de Esquerda e a qualidade que reconheço aos
membros da lista encabeçada pela Marisa Matias não me deixam margem para hesitar.
Voto Bloco. De pé, povos da Europa! De pé, como eu gosto.

