Sócrates cortou salários aos
funcionários públicos, Passos e Portas cortaram salários aos funcionários
públicos. A título excepcional e transitório, é bom recordá-lo. Passos fez voar
a excepcionalidade e a transitoriedade, tornando-os permanentes e definitivos.
Emendou a mão depois, insinuou uma devolução gradual do todo que foi cortado,
mas O Tribunal Constitucional haverá tomado boa nota da intenção anunciada. E
agora o PS de Seguro diz que apenas acabará com os cortes salariais que eram
excepcionais e transitórios “se
a economia deixar”. O eleitorado socialista que tome também boa nota. Estamos na
mesma. Na mesma pelo critério da desonestidade política: António José Seguro e
quadrilha fizeram um enorme chiqueiral quando Passos Coelho admitiu que os
cortes salariais que até aí vendeu como excepcionais e transitórios passavam a
permanentes e definitivos, apontando ao Governo a desonestidade que agora se apontam
a si próprios antes mesmo de chegarem ao poder. Mas estamos na mesma também no
plano da condução da política económica. Para estes “socialistas”, que denotam não
ter qualquer pejo em ignorar a tal Constituição da República Portuguesa que um Governo
de coligação com o PSD pode perfeitamente moldar à visão de país desejavelmente
empobrecido que partilham, é a economia que determina os salários, não os salários
que determinam a economia. O crescimento económico que aconteceu imediatamente após
a devolução do subsídio de férias a que o Governo foi obrigado pelo TC em Dezembro passado há-de ter sido obra do acaso. Ou então terá sido
um – como eles dizem – “crescimento artificial” que nada deve à virtude exportadora
que se esfuma sempre que a refinaria de Sines faz uma pausa para café, não sei.
Eles é que sabem os planos que têm na manga para esta porcaria ficar cada vez mais na
mesma.
