quinta-feira, 10 de abril de 2014

Olha a retoma, olha o desemprego a cair


Quase metade dos trabalhadores a tempo parcial em Portugal estava disponível para trabalhar mais horas, sendo por isso classificados como estando numa situação de subemprego. No final de 2013, a taxa de subemprego atingia 45,9% dos trabalhadores em part-time e era a quarta mais alta da União Europeia. Os dados foram divulgados esta quinta-feira pelo Eurostat, o organismo de estatísticas europeu, e explicam o alardeado recuo da taxa de desemprego no último ano que a propaganda oficial vende como sinais inequívocos de uma retoma que mais ninguém vê. Em causa estão 263 mil trabalhadores que trabalham a meio tempo e que gostariam de ter um emprego com horário completo mas que não conseguem encontrar nenhum. Não há empregos.

O povo é sereno


Um carro armadilhado explodiu ao início desta manhã frente à sede do banco central da Grécia, no centro de Atenas, sem provocar vítimas, horas antes daquela que será a primeiraemissão de dívida pública do país desde o início da crise. O povo é sereno. Até tal dia.

Gostei de ler: "Acelerar num beco sem saída pensando que é uma autoestrada"



«Se a coisa não fosse grave, mais do que isso, muito grave, a vida pública portuguesa seria tão aborrecida como a química do néon. O néon, com uma excepção, permanece solitariamente sem reagir com nada, altaneiro na sua condição de raro e nobre. Hoje, a nossa vida pública parece o néon, nada reage com nada, apesar do absurdo em que vivemos, apesar das malfeitorias quotidianas. E este absurdo vem de que qualquer pessoa que se debruce sobre o que verdadeiramente se passa e não sobre a nuvem de propaganda e retórica, percebe com absoluta clareza que nada está a mudar, enquanto as pessoas e o país pagam um custo enorme em nome de uma mudança inexistente. Pagaram e muito e vão ficar de mãos a abanar.

Quando esta “gente”, como o Primeiro-ministro gosta de chamar aos seus opositores, for varrida do mapa político, o país continuará com os mesmos problemas estruturais de crescimento, a mesma estagnação ou pior, e nenhum adquirido sustentável. Nem no deficit, nem na dívida, nem em nada. Com o tempo, a complacência política da troika, que se seguiu à hostilidade inicial resultado da queda de um Sócrates muito estimado pela senhora Merkel (convém não esquecer), será esquecida, e 4% de deficit será 4% e não os 2 previstos, e 130% da dívida será 130% e não os previstos. Ou seja, no fim do memorando, na “restauração” do 1640 de Portas, nada do previsto foi alcançado. A instabilidade política crescerá, a instabilidade social, idem, e os impasses actuais mostrarão a sua face soturna. E acelerar num beco sem saída, que é a política do governo, conduz-nos a bater violentamente na parede. Seguro fará o papel da espuma que se deita nas pistas para impedir os incêndios, mas a parede está lá, cada vez mais perto. O resto é magia.» – Pacheco Pereira, no Abrupto.