segunda-feira, 7 de abril de 2014

Uma pausa no teatro: falemos um pouco sobre política


A pergunta é simples: Concorda com o Tratado Orçamental? Esta segunda-feira, na abertura das jornadas parlamentares do partido, a cabeça de lista Marisa Matias anunciou que o Bloco de Esquerda vai apresentar um projecto de resolução na Assembleia da República que propõe um referendo ao Tratado Orçamental. Já sabemos que a proposta será recusada por unanimidade por PSD, PS e CDS, mas nenhum dos três se livra de clarificar, votando preto no branco, o que pensa ao respeito, se está a favor ou contra uma austeridade para toda a vida, se está contra ou a favor da recuperação económica que essa austeridadesempre impedirá. As piruetas que os três farão para não darem por perdidas as cambalhotas que têm dado para que se notem diferenças que realmente não têm em nada de verdadeiramente essencial e que argumentos inventarão para vedarem aos portugueses a oportunidade de usarem a democracia para decidirem sobre tema tão determinante do futuro de todos, sem dúvida alguma, são espectáculos que prometem. Encenações à parte, a iniciativa do Bloco irá mostrar de que lado está cada partido. Os portugueses terão mais uma oportunidade para constatarem que os partidos NÃO são todos iguais.

Toda a razão




Então se ele sabia de tudo isso, nos anos de 2002, 2003 e 2004, por que razão não afastou o Governo e o seu partido das pessoas do PSD que tinham responsabilidades no BPN? Por que razão continuou a nomear essas pessoas, quer no partido, quer para o Governo?” Sócrates tem toda a razão nas perguntas que dirige a Durão Barroso sobre o BPN, a propósito da sua última entrevista ao Expresso. A mesma razão, toda, que teria ou Durão, ou Passos Coelho, ou Portas, ou qualquer um desse lado desta patranha que lhe perguntasse: "então por que é que Sócrates nacionalizou o BPN tendo o BPN uma quota de mercado tão pequena que não significava risco sistémico nenhum? Porque é que nacionalizou apenas os prejuízos, deixando tudo o que tinha valor nas mãos dos antigos proprietários? Por que é que Sócrates continua a defender Vítor Constâncio apesar deste ter objectivamente falhado naquilo que estava incumbido de fazer? Para que serve afinal a supervisão bancária?" Ao que alguém do lado socialista da vigarice do século responderia, também com toda a razão: "E então por que é que o Governo de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas reprivatizou o BPN vendendo-o a Américo Amorim e Isabel dos Santos com um desconto de 60% relativamente ao valor das avaliações que tinha em seu poder? Por que é que continuou a nomear para o Governo gente ligada ao BPN? Por que é que continua a fazer sair dinheiro dos cofres públicos para pagar dívidas do BPN depois de o reprivatizar?" Eles têm sempre toda a razão. E os portugueses continuam a dar-lhes toda a razão, ou a uns, ou a outros, como demonstram todas as sondagens em que aparecem sempre com mais de 80% das intenções de voto, convencidíssimos que responsabilização política é qualquer coisa estranha que compete à justiça divina ou à justiça dos homens. E não é.