João Moreira Rato foi hoje questionado
na comissão de orçamento e finanças da Assembleia da República sobre os
encargos que o Estado está a suportar por ter realizado emissões de dívida
consideravelmente mais elevadas do que os valores que precisa de utilizar no
imediato, criando aquilo a que o Governo e a sua imprensa baptizaram de “almofada
financeira”, um excedente de liquidez que alegadamente serve para tranquilizar “investidores”
(especuladores) que tencionem comprar títulos de dívida a Portugal. O responsável
do IGCP estimou que essa almofada atingiu em 2013 um valor próximo de 15 mil
milhões de euros a um juro médio de 2,9%. Ou seja, o custo anual assumido foi de
435 milhões de euros, um valor que compara com os 429 milhões do total de
subsídios de desemprego pagos durante 2013 - mais de metade nada recebe e podia receber - ou com a receita prevista de 388
milhões resultante do aumento da contribuição para a ADSE em 2014 somado com o
agravamento da contribuição que não é contribuição, extraordinária sem ser
extraordinária e de solidariedade voltamos a perceber com
quem. O empobrecimento de uns é a tranquilidade de outros. E o “sucesso” do
“programa de ajuda económica e financeira”, o extraordinário êxito que ecoa nos
campanários de igrejas e capelinhas de todo o mundo para festejar o regresso de
Portugal aos mercados são estes 435 milhões de euros, noves fora os mais de dois milhões que vivem na pobreza em Portugal, dos quais mais de um milhão não consegue fazer sequer uma refeição de carne ou de peixe de
dois em dois dias. .Propaganda cara, esta saída tudo menos limpa. E esta brincadeira é para continuar.
Vagamente relacionado:
Os swaps comercializados pelo Santander junto de quatro empresas públicas de
transportes acumulam perdas potenciais superiores a 1200 milhões de euros até
ao final de Fevereiro, revelou nesta quarta-feira o mesmo presidente da Agência
de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) na
mesma audição.
Ainda mais vagamente: Os benefícios fiscais concedidos pelo Estado em sede de IRS — como as deduções à colecta de despesas com saúde, educação e habitação — têm vindo a encolher de ano para ano desde a chegada da troika. Com a redução dos limites nas deduções, a despesa fiscal do Estado reduziu-se em mil milhões de euros entre 2011 e 2013.
Ainda mais vagamente: Os benefícios fiscais concedidos pelo Estado em sede de IRS — como as deduções à colecta de despesas com saúde, educação e habitação — têm vindo a encolher de ano para ano desde a chegada da troika. Com a redução dos limites nas deduções, a despesa fiscal do Estado reduziu-se em mil milhões de euros entre 2011 e 2013.

