segunda-feira, 31 de março de 2014

Touché, Hollande!



O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, já apresentou a sua demissão e a do seu Governo ao Presidente François Hollande, no dia a seguir a uma derrota histórica nas eleições municipais francesas. E histórica não apenas pelas autarquias que os socialistas perderam para a direita. Histórica também pelo crescimento assustador da extrema-direita francesa, ainda assim menor do que as projecções apontavam inicialmente, embora tal cenário possa confirmar-se nas eleições europeias, daqui a um par de meses. Mas histórica sobretudo pela leitura que François Hollande fará delas. Os franceses deixaram bem claro qual será a sua reacção caso aquela “esquerda” interpretada por Hollande se contente em ser uma versão canhota do produto oferecido pela UMP do seu antecessor, Nicolas Sarkozy, que não tiveram problema algum em castigar nas urnas nas últimas presidenciais tal e qual castigam agora a decepção que lhe sucedeu. Decepção por decepção, a Frente Nacional de Marine Le Pen já deu mostras de saber como se faz para capitalizar o descontentamento popular. Hollande que não se fique apenas pela nomeação de ManuelValls para novo primeiro-ministro. Hollande tem que mudar de políticas se não quiser ficar na História como o idiota que entregou a França aos fascistas que ressuscitou com a sua interpretação livre de socialismo.

Festival


Adoro aquele cosmopolitismo erudito e esclarecido que transpõe para a política  a vibração daquelas noites loucas dos festivais Eurovisão da canção da minha infância. Constatei-o quando o mordomo das Lajes Durão Barroso foi nomeado Presidente da Comissão Europeia pelas armas de destruição em massa inventadas que também ele disse ter visto para justificar uma guerra, quando a vista grossa de Vítor Constâncio   viu reconhecida a sua colaboração com os 10 mil milhões do BPN e o promoveram para o BCE, quando o tratado da austeridade eterna e do caminho do nosso subdesenvolvimento que aprovaram sem nos consultarem recebeu o nome da capital portuguesa. Mas isto, mas aquilo, ó pá, não importa, é português! Portugal: twelve points. Viva o nosso querido país. Hoje volta a ser dia de festival: o espremedor de vidas Vítor Gaspar irá receber um salário mensal de 23 mil euros no seu novo cargo no FMI. Portugal: mais twelve points. Agora, para terminar este post com a música do fim, dávamos todos as mãos e cantávamos aquela do sobe, sobe, balão sobe, mas o festival ainda nem vai a meio. No final de Maio conheceremos as escolhas do júri português. Toca a votar nos eternos vencedores.