O primeiro-ministro francês,
Jean-Marc Ayrault, já apresentou
a sua demissão e a do seu Governo ao Presidente François Hollande, no dia a
seguir a uma derrota histórica nas eleições municipais francesas. E histórica não
apenas pelas autarquias que os socialistas perderam para a direita. Histórica também
pelo crescimento assustador da extrema-direita francesa, ainda assim menor do que
as projecções apontavam inicialmente, embora tal cenário possa confirmar-se nas
eleições europeias, daqui a um par de meses. Mas histórica sobretudo pela leitura
que François Hollande fará delas. Os franceses deixaram bem claro qual será a sua
reacção caso aquela “esquerda” interpretada por Hollande se contente em ser uma
versão canhota do produto oferecido pela UMP do seu antecessor, Nicolas Sarkozy,
que não tiveram problema algum em castigar nas urnas nas últimas presidenciais
tal e qual castigam agora a decepção que lhe sucedeu. Decepção por decepção, a Frente
Nacional de Marine Le Pen já deu mostras de saber como se faz para capitalizar o
descontentamento popular. Hollande que não se fique apenas pela nomeação de ManuelValls para novo primeiro-ministro. Hollande tem que mudar de políticas se não quiser
ficar na História como o idiota que entregou a França aos fascistas que ressuscitou com a sua interpretação livre de socialismo.
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