Submarinos. Regressaram às notícias
a meio desta semana por ter sido publicado no Diário da República um ajuste
directo assinado pelo ministro da Defesa, José Pedro Aguiar Branco, a contratar
a manutenção do submarino Tridente à empresa alemã que o construiu, permitindo
que esta gaste até cinco milhões de euros, sem impostos, numa “pequena revisão”
que terá de ser realizada no primeiro semestre deste ano. O limite máximo para o
procedimento ajuste directo é 75 mil euros. E voltam a marcar presença hoje, com
a notícia da absolviçãode todos os dez arguidos no processo das contrapartidas do contrato de aquisição
dos mesmos dois submarinos firmado pelo então (2004) Primeiro-ministro Durão Barroso e
pelo Ministro da Defesa Paulo Portas. O primeiro indício da absolvição hoje tornada
pública foi a não inclusão de nenhum dos dois no rol de acusados. A recta final
de mais esta absolvição incluiu um despacho no qual a juíza do processo
se recusou a ouvir mais cinco testemunhas, conforme requerido pelo Ministério Público.
Fez muito bem. Os dez já estavam absolvidos e os dois nem sequer foram julgados.
A desconfiança que alimenta o abstencionismo que garante vidas sossegadas a estadistas
impolutos voltou a ser alimentada com mais um final feliz. O crime recompensa-os
duas vezes. Pelo menos.
Cenas das próximas
absolvições: A Caixa Geral de Depósitos (CGD) anunciou esta sexta-feira à tarde
que os prejuízos atingiram os 576
milhões de euros no ano passado, um trambolhão de 45,8% face aos resultados
também negativos de 395 milhões de 2012. Ontem, o Banco
Espírito Santo (BES) apresentou um prejuízo de 517,6
milhões de euros em 2013, depois de ter fechado 2012 com lucros de 96,1
milhões. No dia anterior foi a vez do BCP apresentar um resultado
negativo em 2013 de 740,5
milhões. , que somam às perdas superiores a 1200 milhões de euros registadas
em 2012 e ao prejuízo de 786 milhões de 2011. No final de 2009, o BCP tinha
concentrados em apenas seis ilustres clientes créditos de 3,5
mil milhões de euros, o equivalente, nessa data, a aproximadamente 80% da
capitalização bolsista do banco, cuja cotação entretanto se desvalorizou mais de
dez vezes.

