segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Da longa série "empreendedorismo de Estado" (lado magro/carne do lombo)



A Federação Nacional dos Professores (Fenprof), da CGTP (a UGT, como  sempre, de fora de qualquer conflito com o poder), entregou nesta segunda-feira uma queixa-crime no Ministério Público por entender que existem “indícios de prática dos crimes de peculato, de participação económica em negócio e de abuso de poder” em vários colégios privados do país. A Fenprof sustenta que existem cinco novos casos de colégios em situação de irregularidade e exige que seja investigada a alegada utilização abusiva de dinheiros públicos no financiamento destes estabelecimentos de ensino, no âmbito dos contratos de associação do Estado com escolas privadas. O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, considera que nos últimos anos tem havido "interesses poderosos que têm obstaculizado" as investigações. Mário Nogueira garante que existem mais cinco novos casos de irregularidades em colégios privados no Porto, Beira Interior e Lisboa e que tem directores de escolas como testemunhas.

No pasa nada


Os suíços aprovaram em referendo que decorreu durante este fim-de-semana a limitação à imigração originária dos países da União Europeia. A extrema-direita rejubila por toda a Europa, os eurocratas esboçam uma espécie de ameaça quanto a eventuais retaliações, sem nunca se referirem concreta e especificamente à liberdade de circulação de capitais que faz da Suíça a máquina de lavar dos proveitos de toda a espécie de negócios. E a questão está aqui, é o denominador comum entre ultras tacitamente de acordo para não a resolverem. De um lado, os ultras do europeísmo da concentração de riqueza refugiam-se atrás de uma coisa a que chamam de “crise sistémica”, daquelas que prejudicam o poder económico que representam e põem milhões e milhões de cidadãos a pagar a factura do défice democrático que os deixou sem representantes dos seus reais interesses na condução da política europeia. Do outro, os ultras do populismo e da xenofobia aproveitam-se da maior facilidade que muitos têm em apontar para o lado em vez de apontarem para cima e fornecem-lhes alvos concretos para despejarem a sua mais do que justificada insatisfação, ignorando completamente uma máquina de lavar que até lhes daria imenso jeito caso destronassem os primeiros aos comandos da central de negócios UE. Com as eleições europeias aí a estourar, nem mesmo a previsão de que a extrema-direita poderá obter mais de um terço dos mandatos consegue afrouxar a inconsciência congénita do “europeísmo convicto”que, ao ignorar a ameaça, acabará por fazer implodir o projecto europeu. Começou por ser um sonho bonito, transformaram-no num pesadelo horrível. Não há-de deixar grande saudade. Quando muito,  e não é nada pouco, deixará um crime gigantesco para julgar e punir exemplarmente de forma a que os vindouros não  repitam os erros destes anos em que o progressocorreu para tras.