"Projecto de venda das obras de Miró começou ainda no Governo anterior", já se lê por aí. E cá estamos nós no tradicional passa-culpa: "eu vendo porque tem que ser", "eu não vendia nem que o Sócrates me batesse", "a culpa é destes", "a culpa é dos anteriores". Que trampa de vida, o silêncio cúmplice do tal Miró. Se ao menos o tipo aparecesse para aí a esclarecer que a culpa é de ambos. Injectaram milhares de milhão em bancos falidos sem assumirem o seu controlo nem ao menos exigirem uma auditoria independente. E atenção que disse independente, não dessas que se pagam para fabricarem o resultado pretendido. A única exigência que acordaram entre si e com um ocupante externo foi empobrecer o seu povo, confiscar-lhe salários e pensões de reforma, sobrecarregá-lo com impostos que deixaram de fora as grandes fortunas e pouparam os mais que muitos rendeiros do país e desmantelar-lhe os serviços públicos conquistados com contribuições de quatro décadas. O BCP já se perfila no horizonte como o segundo BPN, mas está tudo bem, como Deus quer. Os Miró ainda são o menos surreal de toda esta história de ladrões.
Vagamente relacionado:
Francisco Nogueira Leite tem acompanhado o primeiro-ministro desde os tempos da
JSD até à administração da Tecnoforma, a empresa que enigmaticamente recolheu a
grande fatia do bolo das verbas de formação distribuídas por Miguel Relvas no
governo Durão/Portas. Em Julho foi nomeado presidente
da Parvalorem, com salário de 5822 euros/mês. Os últimos acrescentos ao seu
curriculum são uma especialização em vendas de obras de arte e, dentro desta,
uma sub-especialização em Miró e outra em transporte de obras de arte viamala diplomática.

