Os agentes da PSP deverão passar
a receber suplementos remuneratórios para compensar os cortes salariais já
em Abril. Esse é um dos resultados da reunião ocorrida nesta sexta-feira
entre os sindicatos afectos à PSP e o ministro da Administração Interna, Miguel
Macedo. Da minha parte, tal como o tinha feito com os suplementos
remuneratórios que o Governo regional açoriano aprovou para os seus
funcionários públicos, vejo com bons olhos uma medida que neutraliza a medida
que lhe deu origem, o confisco de parte significativa dos seus salários, uma
aberração à luz da nossa Constituição. Da parte do Governo, o mesmo que aprovou
os cortes e também o mesmo que estrebuchou quando o Tribunal Constitucional não
encontrou qualquer inconstitucionalidade nos suplementos açorianos, é que se
torna difícil explicar qual é a lógica de tirar com uma mão para imediatamente
a seguir compensar com a outra sem ver nesse gesto a mesma
inconstitucionalidade que apontou ao Governo da Região Autónoma dos Açores.
Talvez a lógica do “fui eu que fiz, é bem feito”. Talvez a lógica do “eles são
polícias, deixa cá ter cuidado com eles, até porque andamos a fazer mal a muita
gente e há-de dar jeito tê-los do nosso lado para reprimir eventuais reacções
mais enérgicas nas ruas”. E seguramente a falta de lógica de que sempre padecem
as decisões tomadas por uma quadrilha de garotos que só sabe é fazer porcaria atrás de porcaria. O papá Cavaco que volte a limpar-lhes o rabinho. Valeu a pena subir as escadarias do Parlamento.
