sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Afinal, havia dinheiro


Os agentes da PSP deverão passar a receber suplementos remuneratórios para compensar os cortes salariais já em Abril. Esse é um dos resultados da reunião ocorrida nesta sexta-feira entre os sindicatos afectos à PSP e o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo. Da minha parte, tal como o tinha feito com os suplementos remuneratórios que o Governo regional açoriano aprovou para os seus funcionários públicos, vejo com bons olhos uma medida que neutraliza a medida que lhe deu origem, o confisco de parte significativa dos seus salários, uma aberração à luz da nossa Constituição. Da parte do Governo, o mesmo que aprovou os cortes e também o mesmo que estrebuchou quando o Tribunal Constitucional não encontrou qualquer inconstitucionalidade nos suplementos açorianos, é que se torna difícil explicar qual é a lógica de tirar com uma mão para imediatamente a seguir compensar com a outra sem ver nesse gesto a mesma inconstitucionalidade que apontou ao Governo da Região Autónoma dos Açores. Talvez a lógica do “fui eu que fiz, é bem feito”. Talvez a lógica do “eles são polícias, deixa cá ter cuidado com eles, até porque andamos a fazer mal a muita gente e há-de dar jeito tê-los do nosso lado para reprimir eventuais reacções mais enérgicas nas ruas”. E seguramente a falta de lógica de que sempre padecem as decisões tomadas por uma quadrilha de garotos que só sabe é fazer porcaria atrás de porcaria. O papá Cavaco que volte a limpar-lhes o rabinho. Valeu a pena subir as escadarias do Parlamento.

Aqueles franceses só podem estar loucos


Pela primeira vez desde que foi eleito Presidente de França, o índice de confiança em François Hollande é inferior a 20%. De acordo com o barómetro TNS Sofres/Sopra group/Le Figaro Magazine, o Presidente francês perdeu três pontos percentuais no índice de confiança para 19%, enquanto os cidadãos que não confiam em Hollande aumentaram dois pontos percentuais para 78%. Esta é a primeira sondagem TNS Sofres desde a conferência de imprensa de François Hollande a 14 de Janeiro, durante a qual assumiu abertamente um posicionamento político social-liberal (e não social-democrata, como se lê aqui). Curioso contraste. Hollande em mínimos em França e o discípulo António José Seguro em máximos em Portugal. Das duas, uma: ou os franceses estão doidos, ou então são os portugueses que andam a dormir. Desempata o facto dos franceses já terem tido oportunidade de comprovar quanto vale o seu "socialista" de serviço.

No fim-de-semana passado, numa daquelas tiradas que têm como única finalidade evitar que o silêncio o faça cair no esquecimento, António José Seguro apontou o seu dedo acusador para as promessas eleitorais quebradas pelos últimos quatro preferidos dos portugueses. Quem não sofra de falta de memória, e são os próprios camaradas de partido que dizem que Seguro voltou a mostrar que tem memória selectiva, será obrigado a dar-lhe toda a razão no que disse sobre a tradição eleitoral do tal arco das promessas ao vento. E a constatar outra evidência importante: António José Seguro está num patamar muito acima de Pedro Passos Coelho, de José Sócrates, de Durão Barroso, de António Guterres e até do próprio Hollande. Ao contrário de todos eles, António José Seguro não precisa de prometer nada, de dizer que projectos tem para o país, de se comprometer com o que quer que seja. É só deixar o tempo correr. O poder acabará por cair-lhe nas mãos. De podre? Dá-lhe igual.