Segundo um relatório
da Comissão Europeia ontem publicado, a extensão da corrupção na Europa é
de "tirar o fôlego" e custa 120 mil milhões de euros por ano, cerca
de 1% do PIB da União Europeia. No caso de Portugal, o relatório salienta que,
apesar dos avanços na legislação, e com certeza não se referiam ao alargamento
da possibilidade de suspensão de penas de prisão para crimes com molduras penais
até cinco anos, contra os anteriores três, aprovado na era Sócrates por PS e
PSD com a abstenção do CDS, casos complexos de corrupção poucas vezes são
concluídos de forma célere.
Grandes novidades nos dão. É o
caso do processo BPN, o qual, cinco anos e mais de 8 mil milhões de euros
depois, continua sem condenados, sem confisco de bens a Loureiros e Limas, que
continuam a
empreender e a viver boas vidas com dinheiro que não é seu, um processo que
ainda ontem foi noticia pelos 510
milhões de euros que o Governo desviou dos nossos serviços públicos para o
buraco do BPN e hoje pela colecção de 85 Miró que saiu do país para ser
vendida pela
calada da ilegalidade (uma venda suspensa pela própria leiloeira, uma decisão que expõe internacionalmente o Governo português como um vulgar receptador apanhado em flagrante a vender o que não lhe pertence). É também o caso do processo dos submarinos, já com
condenações na Alemanha e, tal como o processo BPN, igualmente a aguardar
prescrição em Portugal. O
caso tem oito anos e em causa está um contrato firmado pelo Governo do actual
Presidente da Comissão Europeia, então Primeiro-Ministro, e do actual Vice Primeiro-ministro
de Portugal, à data Ministro da Defesa. Não deixa de ser anedótico que o
relatório dê ao caso destaque de não mais do que uma pequena nota de pé de
página.
Ora, a Comissão Europeia faz
parte da troika que há três anos está em Portugal alegadamente a promover
“reformas estruturais”. O que fez para combater a corrupção? Incentivou
privatizações em sectores estratégicos como o da energia e correios, que
decorreram na maior opacidade. Apoiou o negócio da subconcessão dos Estaleiros
de Viana a uma empresa falida por uma bagatela, um caso de polícia ainda mais
flagrante do que os primeiros. Aceitou perdões fiscais em 2012 e 2013 a
ilustres envolvidos em casos de corrupção como o Monte Branco e Furacão. E,
como se não fosse nada consigo, aparece
com um relatório todo catita que diz que Portugal não tem estratégia de combate
à mesma corrupção que fomentou ao longo dos três anos em que andou por cá a destruir
serviços
públicos, condições de trabalho, salários, protecções sociais, as suas “reformas
estruturais realmente necessárias”. As avaliações trimestrais ao programa de "ajuda" financeira foram sempre "bastante" positivas. Faaaaaantástico.
Aos leitores, as minhas desculpas por estar a maçá-los com este parêntesis inoportuno, bem sei que o tema do momento pela segunda semana consecutiva é praxe e crimes de capa e batina. E ainda há tanto para debater… É deveras tranquilizador constatar que temos uma esquerda unida e capaz de proteger os cidadãos dos abusos das praxes académicas.
Aos leitores, as minhas desculpas por estar a maçá-los com este parêntesis inoportuno, bem sei que o tema do momento pela segunda semana consecutiva é praxe e crimes de capa e batina. E ainda há tanto para debater… É deveras tranquilizador constatar que temos uma esquerda unida e capaz de proteger os cidadãos dos abusos das praxes académicas.
