Como
se não bastasse a hora adicional diária de trabalho gratuito que o Tribunal
Constitucional viabilizou com uma justificação política e não técnica, este ano
os trabalhadores em funções públicas terão também cortes agravados nos seus salários
e verão a contribuição para a ADSE aumentada em 1% do seu salário. Contas
feitas pelo
PÚBLICO, para um funcionário público solteiro e sem filhos que receba um
salário bruto de 700 euros, a redução salarial em 2014 será de 164,33 euros,
que aquela publicação compara com a redução de 143 euros verificada em 2013,
menos 21,33 euros, em vez de compará-la com aquilo que cada funcionário nestas
condições deveria ganhar por trabalhar mais uma hora diariamente. E as contas
são fáceis de fazer: em termos brutos, quem ganhava 700 euros trabalhando 7
horas por dia em princípio receberia 800 euros trabalhando oito horas
diariamente. Isto caso o trabalho obrigatório gratuito, outrora chamado
escravatura, não tivesse sido recentemente descoberto nas entrelinhas da Constituição
da República Portuguesa por aqueles a quem a nossa democracia confiou a função
de se pronunciarem sobre a conformidade da produção legislativa com a nossa Lei
fundamental. Ainda falta saber o que dizem sobre a constitucionalidade da
medida que veio a seguir, o corte salarial entre 2,5 e 12%, à qual se ficam a
dever as diferenças entre salário bruto e salário líquido que chegam a
ultrapassar os 50%, como se pode ler no mesmo
artigo. Há dias, ficámos a saber que, a curta distância da perda de emprego
(32%), os
cortes salariais foram responsáveis por 30,6% dos mais de 29 mil pedidos de
auxílio recebidos pela DECO em 2013 de famílias que antes conseguiam e
deixaram de conseguir satisfazer as suas obrigações de crédito. Os senhores
juízes do Tribunal Constitucional também souberam de todos estes portugueses e
portuguesas que passaram a viver acima das suas possibilidades. Tal como a nacionalização
da hora diária de trabalho gratuito, os cortes salariais na Administração
Pública foram eles que os permitiram, com a mesma argumentação de
salvaguarda de um estranho "interesse nacional". Aguardemos para ver o que decidem desta vez
relativamente à constitucionalidade de nova nacionalização de parte dos salários dos servidores do
Estado que têm em mãos para apreciação.
O caluniador
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Esta noite, após ter visto a sua equipa perder contra um modesto
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Há 30 minutos
