terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Uma viragem de 360 graus



Embora em termos ainda muito genéricos, François Hollande acaba de tornar pública a sua "estratégia para o relançamento da economia francesa". De inspiração socialista, social-democrata ou social-liberal? Se uma medida como a redução drástica que anunciou de 30 mil milhões de euros nos custos do trabalho para as empresas, leia-se, nas contribuições que as empresas pagam à Segurança Social dissipa parte do mistério, o corte orçamental de 15 mil milhões previsto para este ano e o objectivo de cortar 50 mil milhões até 2017 no – expressão emblemática – "peso do Estado – outra expressão da mesma semântica – "poupando" na Segurança Social"  pulveriza-o completamente. François Hollande foi mais um que rasgou as promessas eleitorais e aderiu àquela fórmula tão nossa conhecida que faz ricos à sombra da pobreza que generaliza. Por cá, temos um António José Seguro que dá o melhor de si para imitar o mestre francês. Chegou o momento certo para começar à procura de amante, porque fora desta dimensão tablóide da política não haverá grandes surpresas. Se ganhar Seguro, como apontam todas as sondagens, é cada vez mais claro que as próximas eleições servirão apenas para mudar de aldrabão. Será mais uma viragem de 360 graus nas nossas vidas, em tudo igual àquela que sentiram os franceses quando substituíram Sarkozy por Hollande, a troca que fizeram para ressuscitarem a esperança que Hollande hoje enterrou. O Estado social francês continua a ser sacrificado aos grandes interesses económicos.  A cópia não saiu muito diferente do original. Nem sequer nos pecadilhos.