Alguns dos maiores responsáveis pelo programa de transferência de riqueza actualmente em curso em Portugal já começaram a ser recompensados pelos seus serviços por algumas das instituições políticas e financeiras internacionais que têm contado com as suas prestimosas colaborações. O ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar conta com o apoio do governo alemão para ir para o FMI. Arnaut salta das privatizações para o banco que ajudou a tornar o maior accionista dos CTT, recentemente vendido a preço de amigos pelo actual Governo. O ex-ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, vai para a OCDE. Paulo Portas é apontado para a Comissão Europeia.
Vítor Gaspar foi nomeado por
Durão Barroso, em Novembro passado, para presidir ao grupo de alto nível para a
tributação da Economia Digital. Neste sábado, o jornal “Expresso” anuncia que o
ex-ministro das Finanças se candidatou a director para os assuntos fiscais do
FMI, contando com o apoio do governo alemão. É de lembrar que Vítor Gaspar é um
fiel discípulo do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaüble.
José Luís Arnaut, que foi
ministro do PSD nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes, e que nos
últimos anos esteve ligado a todas as privatizações, foi nomeado para o
conselho consultivo internacional do Goldman Sachs, um dos maiores bancos do
mundo. Segundo o comunicado do Goldman Sachs, as funções de Arnaut passam por
“fornecer conselhos estratégicos sobre uma série de negócios, regiões,
políticas públicas e questões económicas, em particular sobre Portugal e os
países africanos de língua portuguesa”. José Luís Arnaut vai substituir o
ex-primeiro-ministro italiano Mario Monti e integrará um grupo de 18 membros,
que é presidido por Robert Zoellick, ex-presidente do Banco Mundial. José Luís
Arnaut é sócio da importante firma de advogados CMS Rui Pena & Arnaut
(RPA), que nos últimos anos tem estado em todas as privatizações e é actualmente
administrador da REN (mandato 2012/2014). Em artigo no jornal Expresso, Pedro
Santos Guerreiro refere que José Luís Arnaut foi o “advogado mais influente” no
extenso programa de privatizações do actual governo. “José Luís Arnaut esteve
em todas. Ora trabalhando para o Estado, ora para as empresas vendidas, ora
para as empresas compradoras. Arnaut foi decisivo nas privatizações da EDP,
REN, ANA, TAP (que falhou) e agora nos CTT”. É caso para sublinhar que
provavelmente é impossível encontrar maior promiscuidade entre política e
interesses públicos, por um lado, e interesses privados, por outro. Na
privatização dos CTT, José Luís Arnaut assessorou o banco Goldman Sachs, que se
tornou no maior accionista da empresa. Ainda segundo o “Expresso”, citado pelo esquerda.net,
a firma de Arnaut representou os interesses de bancos como o Goldman Sachs e o
JP Morgan nas negociações dos swaps com o Estado.
Álvaro Santos Pereira vai para a OCDE.
O ex-ministro da Economia é o novo director do departamento de Country Studies
da OCDE e ficará responsável pelas negociações com os ministros da Economia e
das Finanças dos países da organização.
Paulo Portas disse neste
sábado à entrada do XXV Congresso do seu partido, que decorre em Oliveira
do Bairro, Aveiro, que "a única" comissão política a que se candidata
é a do CDS-PP, não adiantando qualquer detalhe sobre a notícia do PÚBLICO que o aponta como
potencial candidato a comissário europeu. Ainda se desconhece se a sua decisão é ou não
irrevogável.

