120 mil novos empregos, repete o Governo.
Perto de um milhão de portugueses
trabalhava dez ou menos horas por semana no terceiro trimestre de 2013, um
universo que disparou para o dobro de Junho para Setembro, meses em que o total
de trabalhadores com empregos de uma a 10 horas semanais passou de 450 mil para
915 mil. No 3.º trimestre foram
destruídos 404 mil empregos com horários acima de 11 horas/semana e criados 465
mil postos de menos de 10 horas. É nestes empregos que reside a recuperação do
mercado do trabalho que o governo tanto saudou recentemente. Do segundo para o
terceiro trimestre do ano, o total de desempregados caiu 50 mil pessoas, o que
permitiu ao governo apresentar uma quebra do desemprego de 16,4% para 15,6%.
Contudo, nos empregos que exigem mais de 10 horas por semana só houve
destruição de postos de trabalho: nos três meses entre o final de Junho e o
final de Setembro perderam-se 403,2 mil postos de trabalho que 11 ou mais horas
semanais. O aparecimento de mais 464,8 mil trabalhos com horários até 10 horas
semanais anulou assim o efeito que aquele ritmo de destruição de empregos teria
na taxa de desemprego, conseguindo mesmo baixá-la, servindo também para o
governo apresentar os números como sinal do sucesso do programa de ajustamento
que superou as piores previsões. Caso juntemos o total de desempregados a este
grupo de trabalhadores que não conseguem empregos com horários que permitam um
salário decente, encontramos 32,5% da população activa residente em Portugal –
839 mil desempregados e 915 mil trabalhadores com não mais de 10 horas por
semana, sobre 5,39 milhões de população activa. No segundo trimestre deste ano,
a taxa estava nos 24,8% – 886 mil desempregados e 450 mil empregados com não
mais de 10 horas de trabalho (leia-se, remuneração) por semana. Um terço da população
activa ou está desempregada, ou tem um emprego de 10 ou menos horas semanais. (Filipe
Paiva Cardoso)
