sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Sol e bom tempo




Excelente para a praia, péssimo para a agricultura. Um futuro sem nuvens negras. A metáfora torna-se ainda mais ridícula numa corrida ao poder disputada por duas nuvens negras que, na falta de mais para oferecer ao país do que austeridade selectiva em doses ainda maiores, se envolvem numa troca de palavras que consiga ofuscar o que estará em causa nas eleições do próximo ano. A pergunta proibida é: "querem ainda mais austeridade, dessa que em quatro anos fez o número de pobres aumentar de dois para três milhões e o número de desempregados duplicar de 750 mil para 1,5 milhões ao mesmo tempo que fez o número de milionários crescer à razão de mais um por cada quatro previamente existentes"? Passos, Portas  e Costa sabem que se as eleições de 2015 fossem assim percepcionadas a resposta da esmagadora maioria seria um rotundo NÃO, mas também sabem que existe um "não" que responde  a uma segunda pergunta e transforma aquele primeiro "não" num violento "sim": "será desta que os portugueses usarão a democracia para correrem de vez com uma austeridade selectiva que continuará a semear desgraça caso as próximas eleições devolvam o poder a qualquer combinação dos três partidos que a defendem?" Os cães ladram, a caravana passa. Hoje está um dia lindo. Ao menos que 2015 seja um ano bom para ir à praia.

1 comentário:

fb disse...

Excelente para a praia, péssimo para a agricultura. Um futuro sem nuvens negras. A metáfora torna-se ainda mais ridícula numa corrida ao poder disputada por duas nuvens negras que, na falta de mais para oferecer ao país do que austeridade selectiva em doses ainda maiores, se envolvem numa troca de palavras que consiga ofuscar o que estará em causa nas eleições do próximo ano. A pergunta proibida é: "querem ainda mais austeridade selectiva, dessa que em quatro anos fez o número de pobres aumentar de dois para três milhões e o número de desempregados duplicar de 750 mil para 1,5 milhões ao mesmo tempo que fez o número de milionários crescer à razão de mais um por cada quatro previamente existentes"? Passos, Portas e Costa sabem que se as eleições de 2015 fossem assim percepcionadas a resposta da esmagadora maioria seria um rotundo NÃO, mas também sabem que existe um "não" que responde a uma segunda pergunta e transforma aquele primeiro "não" num violento "sim": "será desta que os portugueses usarão a democracia para correrem de vez com uma austeridade selectiva que continuará a semear desgraça caso as próximas eleições devolvam o poder a qualquer combinação dos três partidos que a defendem?" Os cães ladram, a caravana passa. Hoje está um dia lindo. Ao menos que 2015 seja um ano bom para ir à praia.