sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Isto é terrorismo de Estado

Invocar a lei para violar a lei. Violar a lei deliberada e conscientemente para assegurar um interesse público que se quer desbaratar. Nem na Saúde, nem na Educação, nem em nenhum outro sector, não há memória de um Governo que se tenha atrevido a decretar serviços máximos através de uma requisição civil que esvazia completamente o direito à greve, no caso de hoje, perigoso precedente que não pode ficar para futuro, o dos trabalhadores da TAP. O Governo de Passos e Portas fê-lo ontem, atabalhoadamente, servindo-se de uma figura jurídica que em caso algum pode ser accionada antes da concertação com os sindicatos relativamente à fixação de serviços mínimos que ainda não aconteceu à hora a que escrevo estas linhas. Porém, para além da prepotência trapalhona, o que fica de mais este episódio deplorável não é a conclusão sobre uma hierarquia de valores de um Governo que considera mais importante o direito ao Natal dos passageiros da TAP do que o direito à Saúde ou à Educação de todos os portugueses. O que fez o Governo perder a cabeça foi o seu direito a não deixar a venda da TAP para aquele que lhe suceda. O valor líquido do encaixe para os cofres públicos, como é sabido, resume-se a poucas dezenas de milhão. Não será por aí. Ainda mais proveitos submarinos, então? É uma suspeita inteiramente legítima que a seu tempo se confirmará ou não, mas o que importa agora é travar este terrorismo de Estado com jeitinho para o negócio e para atropelar a lei, que não respeita nada nem ninguém. Já chega. 


Ainda sobre o mesmo terrorismo de Estado: qual terá sido a ideia de mandarem polícia de choque para a porta das escolas onde hoje decorrem as provas, diz o Governo, de avaliação de professores? Bater nos professores que façam greve? A autoridade perdida não se recupera pela força. Medo sempre foi diferente de respeito. E não há que ter medo de um Governo que só não é passado porque Cavaco o mantém ligado à mesma máquina que também o mantém no presente.


2 comentários:

fb disse...

Invocar a lei para violar a lei. Violar a lei deliberada e conscientemente para assegurar um interesse público que se quer desbaratar. Nem na Saúde, nem na Educação, nem em nenhum outro sector, não há memória de um Governo que se tenha atrevido a decretar serviços máximos através de uma requisição civil que esvazia completamente o direito à greve, no caso de hoje, perigoso precedente que não pode ficar para futuro, o dos trabalhadores da TAP. O Governo de Passos e Portas fê-lo ontem, atabalhoadamente, servindo-se de uma figura jurídica que em caso algum pode ser accionada antes da concertação com os sindicatos relativamente à fixação de serviços mínimos que ainda não aconteceu à hora a que escrevo estas linhas. Porém, para além da prepotência trapalhona, o que fica de mais este episódio deplorável não é a conclusão sobre uma hierarquia de valores de um Governo que considera mais importante o direito ao Natal dos passageiros da TAP do que o direito à Saúde ou à Educação de todos os portugueses. O que fez o Governo perder a cabeça foi o seu direito a não deixar a venda da TAP para aquele que lhe suceda. O valor líquido do encaixe para os cofres públicos, como é sabido, resume-se a poucas dezenas de milhão. Não será por aí. Ainda mais proveitos submarinos, então? É uma suspeita inteiramente legítima que a seu tempo se confirmará ou não, mas o que importa agora é travar este terrorismo de Estado com jeitinho para o negócio e para atropelar a lei, que não respeita nada nem ninguém. Já chega.

Anónimo disse...

é bastante mais simples: cede-se o negócio a um privado, continua-se a subsidiar açores e não sei quê, e quando der para o torto, é tal e qual o BES, pagamos nós.

não, não estamos em economia de mercado, mas estão à vontade, continuem a não votar ou a votar cobardemente no "menos mal" do centrão.

feliz natal e que 2015 traga ainda mais taxas.