terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Entretenham-se lá com a árvore, mas não vejam a floresta


Mais de 90 inspectores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da PJ denunciam em abaixo-assinado a falta de meios que, dizem, está a debilitar a unidade nas investigações aos crimes de corrupção. Em causa estão equipamentos informáticos desactualizados, automóveis sem condições para circular e falta de recursos humanos. A denúncia podia ter partido de médicos, de professores ou de artistas, na Saúde, na Educação, na Cultura ou em qualquer outro sector o cenário é igual, em todos eles se trabalha com falta de meios e a qualidade dos serviços prestados ressente-se. Nestes últimos tempos, a cavalo na prisão de Sócrates, a agenda mediática tem-se centrado no tema corrupção para nos fazer esquecer o problema principal: somos um país refém dos acordos firmados por três partidos que se puseram de acordo em pôr-nos a servir uma dívida e a obedecer a uma Europa que os mandou sobrecarregar-nos com os impostos que o grande capital nunca pagou e amarrotar-nos as vidas de forma a devolver a esse mesmo grande capital a rentabilidade que perderam com o crash de 2008. Nada mais lhes interessa. É com tudo isto, com o Tratado Orçamental da austeridade para sempre e com o euro que apenas se desvaloriza usando os salários como factor de ajustamento, que há que romper. A corrupção vem no pacote, mas é apenas uma das parcelas, que até nem será a maior. Mal estaremos se aceitarmos discutir corrupção na vez da saída política para o buraco onde nos meteram. A culpa será sempre do outro, para felicidade da sobrevivência de todos. Da corrupção também.

1 comentário:

Filipe Tourais disse...

Nestes últimos tempos, a cavalo na prisão de Sócrates, a agenda mediática tem-se centrado no tema corrupção para nos fazer esquecer o problema principal: somos um país refém dos acordos firmados por três partidos que se puseram de acordo em pôr-nos a servir uma dívida e a obedecer a uma Europa que os mandou sobrecarregar-nos com os impostos que o grande capital nunca pagou e amarrotar-nos as vidas de forma a devolver a esse mesmo grande capital a rentabilidade que perderam com o crash de 2008. Nada mais lhes interessa. É com tudo isto, com o Tratado Orçamental da austeridade para sempre e com o euro que apenas se desvaloriza usando os salários como factor de ajustamento, que há que romper. A corrupção vem no pacote, mas é apenas uma das parcelas, que até nem será a maior. Mal estaremos se aceitarmos discutir corrupção na vez da saída política para o buraco onde nos meteram. A culpa será sempre do outro, para felicidade da sobrevivência de todos. Da corrupção também.