segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Gostei de ler: "Afinal, pode-se mesmo: mais emprego e melhor salário"



Um relatório do Banco Mundial, anunciado com estardalhaço, teria dado Portugal como tendo progredido da 31ª para a 25ª posição mundial quanto à facilidade de “negócio”. Vistas depois as contas, afinal tinha descido do 23ª para o 25ª lugar, mas já o ministro Pires de Lima tinha deitado os foguetes e apanhado as canas. De qualquer modo, o critério deste ranking é muito interessante: no caso português, festeja as reformas troikistas da legislação laboral, incluindo a facilidade de despedimentos, e a redução de impostos sobre lucros. É isto que se chama uma melhoria de “ambiente”. Desemprego e mais lucros, é o critério do Banco Mundial.

Entretanto, a administração da Autoeuropa assinou um acordo com a Comissão de Trabalhadores, aceitando que 400 trabalhadores precários passem a ter contrato efectivo, além de um aumento de 2% para todos e da proibição de despedimentos colectivos até final de 2015. Esse acordo, já discutido em plenário, foi depois referendado pelos trabalhadores, como é regra entre eles. Foi aprovado por 74%.

António Chora, o coordenador da Comissão de Trabalhadores e o sindicalista que tem conduzido as maiores vitórias reivindicativas em Portugal, sublinhou a importância destas conquistas. No caso desta fábrica – a maior do país – os trabalhadores efectivos têm-se sempre batido pela integração dos precários, e têm sempre conseguido, além de imporem aumentos reais de salários. Portanto, provam que se pode: mais emprego e melhor salário. A vitória dos trabalhadores da Autoeuropa segue a via contrária à do Banco Mundial.
Não é difícil perceber e escolher qual dos dois caminhos permite a industrialização, a criação de emprego, a redução da precariedade e a melhoria da vida da população.» – Francisco Louçã, no Público.

3 comentários:

fb disse...

No caso desta fábrica – a maior do país – os trabalhadores efectivos têm-se sempre batido pela integração dos precários, e têm sempre conseguido, além de imporem aumentos reais de salários. Portanto, provam que se pode: mais emprego e melhor salário. A vitória dos trabalhadores da Autoeuropa segue a via contrária à do Banco Mundial.» – Francisco Louçã, no Público.

Albano Sousa disse...

Os administradores da Auto Europa e a Comissão de Trabalhadores, perceberam há muitos anos, que o sucesso empresarial depende totalmente do empenho dos trabalhadores. Este exemplo devia ser aplicado no restante tecido empresarial português, mas, como alguém afirmou recentemente, os n/ empresários são fraquinhos.

Filipe Tourais disse...

O que o caso da Autoeuropa demonstra é que o investimento em Portugal não se justifica apenas no pressuposto de salários baixos e precariedade laboral. O nosso problema não está aí, como se ouve ao discurso da moda, temos um dos salários mínimos mais baixos da UE, o mais baixo na UE a 15, e uma das legislações laborais que menos protege a estabilidade no emprego, essencial para rentabilizar aprendizagens. Valemos a pena quando as empresas têm gestões que priviligiam a organização e a racionalização de recursos em vez de priviligiarem a mera exploração do factor trabalho. Fazemo-nos valer a pena quando nos unimos e nos organizamos em sindicatos bem dirigidos e que não se preocupam apenas em fazer barulho.