sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Foi você que pediu uma amputaçãozinha?


Um elemento da administração do hospital Amadora-Sintra questionou um médico sobre qual o procedimento mais barato entre a amputação e a colocação de uma prótese para salvar a perna a um doente, segundo a denúncia respectiva apresentada à Ordem dos Médicos pelo profissional a quem a questão foi colocada. A administração nega tudo, obviamente, mas o episódio suscitado pela excepcionalidade da reacção daquele médico relança várias questões, a primeira das quais é, desde logo, a da insegurança que todos os que recorremos ao SNS sentimos: estaremos a ser tratados de acordo com as melhores práticas médicas ou será que aquele senhor ou senhora que veste aquela bata branca aceitou prestar-se ao papel do racionador de cuidados de saúde que nos irá prejudicar, consoante os casos, irremediavelmente" Se a questão for apenas a dos custos, não recorrer ao SNS ficará sempre mais baratinho do que recorrer a ele e para isso é que existem as filas de espera que convidam tanta gente a abdicar do seu direito à Saúde. Mas se a questão for a da utilidade que a classe dominante dá aos nossos impostos, um euro aplicado em Saúde terá sempre um retorno incomparavelmente superior ao de 1000 euros desviados da sua razão de ser, o retorno em serviços públicos universais de qualidade ao dispor da comunidade, para pagar juros de uma dívida impagável, as rendas da energia, telecomunicações e PPP que garantem a fortuna a uma classe de parasitas ou subvenções vitalícias a um universo restrito de imprestáveis sem mínimos de vergonha. Uma amputação ou uma prótese? Um fármaco inovador que cura ou um medicamento antiquado que vai adiando a morte? O Tratado Orçamental firmado por PSD, PS e CDS juntou-se à indolência da grande maioria dos portugueses para que nos próximos 20 anos a resposta seja invariavelmente um quejando de "o que ficar mais em conta".

1 comentário:

fb disse...

Um elemento da administração do hospital Amadora-Sintra questionou um médico sobre qual o procedimento mais barato entre a amputação e a colocação de uma prótese para salvar a perna a um doente, segundo a denúncia respectiva apresentada à Ordem dos Médicos pelo profissional a quem a questão foi colocada. A administração nega tudo, obviamente, mas o episódio relança várias questões, a primeira das quais é, desde logo, a da insegurança que todos os que recorrem ao SNS sentimos: estaremos a ser tratados de acordo com as melhores práticas médicas ou a do "será que aquele senhor ou senhora que veste aquela bata branca aceitou prestar-se ao papel do racionador de cuidados de saúde que nos irá prejudicar, consoante os casos, irremediavelmente"? Se a questão for apenas a dos custos, não recorrer ao SNS ficará sempre mais baratinho do que recorrer a ele e para isso é que existem as filas de espera que convidam tanta gente a abdicar do seu direito à Saúde. Mas se a questão for a da utilidade que a classe dominante dá aos nossos impostos, um euro aplicado em Saúde terá sempre um retorno incomparavelmente superior ao de 1000 euros desviados da sua razão de ser, o retorno em serviços públicos universais ao dispor da comunidade, para pagar juros de uma dívida impagável, as rendas da energia, telecomunicações ou PPP que garantem a fortuna a uma classe de parasitas ou subvenções vitalícias a um universo restrito de imprestáveis sem mínimos de vergonha.