segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Relax!


Título da notícia-relax do dia a seguir ao da notícia-choque da reprovação do BCP no chamado “teste de stress” do BCE:“BCP e BPI captam mais 1490 milhões em depósitos”. Os portugueses vão ficar muito mais tranquilos com a soma do crescimento do valor dos depósitos do “maior banco privado português” BCP (610 milhões) com o valor, muito maior, do minorca BPI (888 milhões), 1490 milhões acalmam muito mais do que apenas 610 milhões. Vamos todos dar as mãos e acreditar com muita força no que nos diz o respeitabilíssimo Banco de Portugal: o BCP NÃO está falido. O BCP não é o BES. Portugal não é a Grécia. Nem a Irlanda. Os sacrifícios começam finalmente a produzir efeitos positivos. Toca a relaxar.


Vagamente relacionado: todas somadas, as injecções de capital nas várias instituições financeiras, do BCP ao Banif, passando pela nacionalização do BPN, pelos vários aumentos de capital da CGD e terminando no BES, a assistência financeira do Estado à banca já acrescentou 21,5 mil milhões de euros à dívida pública, ou seja, 12,9% do PIB, segundo as contas do Jornal de Negócios. É um valor que explica o aumento da dívida pública registado entre final de 2009 e Março de 2014. No ano passado os apoios à banca somaram 17,5 mil milhões de euros. O valor colocava na altura Portugal no topo do ranking de países da União Europeia onde a assistência à banca mais pesa na dívida pública. E este ano, essa dívida cresceu: a linha de apoio à banca criada ao abrigo do programa da troika contava, no final de 2013, com apenas 2,4 mil milhões. Com a chegada de novas tranches, subiu para 6,4 mil milhões de euros. Contas feitas, só este ano a dívida pública já aumentou em mais 4 mil milhões de euros, o que dá um total de 21,5 mil milhões.
E nada a ver com: «(...) A imagem é dura. Lembra-nos que o governo foi o empenhado facilitador do empobrecimento, que os protestos contra a troika foram grandes mas tão raros, que as alternativas foram escassas e talvez pouco convincentes. O “cão que não ladrou” é por isso uma metáfora escolhida para ser humilhante. Mas tem um grão de verdade. O país não se virou contra o governo colaboracionista, a esquerda dividiu-se ainda mais e manteve-se em grande medida desinteressada ou temerosa das soluções, os sindicatos foram perdendo força ao mesmo passo em que a precarização, o desemprego e a emigração devastavam num ápice a vida de tantas pessoas. A derrota de Portugal perante a troika é o facto dominante da nossa vida colectiva no que vai do século XXI, com a aceitação das regras europeias que são a trela curta que nos é imposta. (...)»

1 comentário:

fb disse...

Título da notícia-relax do dia a seguir ao da notícia-choque da reprovação do BCP no chamado “teste de stress” do BCE:“BCP e BPI captam mais 1490 milhões em depósitos”. Os portugueses vão ficar muito mais tranquilos com a soma do crescimento do valor dos depósitos do “maior banco privado português” BCP (610 milhões) com o valor, muito maior, do minorca BPI (888 milhões), 1490 milhões acalmam muito mais do que apenas 610 milhões. Vamos todos dar as mãos e acreditar com muita força no que nos diz o respeitabilíssimo Banco de Portugal: o BCP NÃO está falido. O BCP não é o BES. Portugal não é a Grécia. Nem a Irlanda. Os sacrifícios começam finalmente a produzir efeitos positivos. Toca a relaxar.