sábado, 18 de outubro de 2014

"Imperativos de consciência", diz o plagiador


A novilíngua destes anos de chumbo do neoliberalismo acaba de ser enriquecida com um precioso contributo do Governo português. Com a demissão do Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, “reformas estruturais” está para desmantelamento de serviços públicos e pulverização de salários e direitos laborais como “imperativos de consciência” passou a estar para duplo plágio. Não entendeu? É natural. Vivemos tempos de intensas conturbações semânticas, torna-se constantemente necessária uma clarificação de cada conceito. Os “imperativos de consciência” de João Grancho são daqueles que desaparecem quando alguém tenta subir na vida a copiar o trabalho dos outros. São daquela outra espécie que apenas nasce quando se é descoberto, quando não resta outra alternativa que não a de sair de cena e “imperativos de consciência” se torna a coisa mais bonita para dizer na vez de “sou mais um desses tipos desonestos que se deixam cegar pela ambição”. Nuno Crato lá saberá quais terão sido os critérios que utilizou para escolher a sua equipa. Numa democracia de média intensidade, seria politicamente responsável pelas suas escolhas. E se o critério foi o do bem plagiar, é uma lástima que não se tenha aconselhado com o seu plagiador quando resolveu inovar e modificar um modelo de concurso de colocação de professores que apesar de tudo funcionava. Bastava-lhe copiá-lo. E agora o seu Secretário de Estado na demissão. O país agradeceria o imperativo de consciência. Mesmo imperativo e mesmo consciência, com o significado que as palavras tinham antes de Durão, Santana, Sócrates, Passos e Portas terem desatado a prostituir-lhes o sentido. Com enorme mestria, diga-se de passagem. Isto vai por um caminho que qualquer dia as pessoas confundem “Maria de Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada foram MELHORES do que Crato” com “Crato conseguiu ser AINDA PIOR” do que Maria de Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada”.

1 comentário:

fb disse...

Os “imperativos de consciência” de João Grancho são daqueles que desaparecem quando alguém tenta subir na vida a copiar o trabalho dos outros. São daquela outra espécie que apenas nasce quando se é descoberto, quando não resta outra alternativa que não a de sair de cena e “imperativos de consciência” se torna a coisa mais bonita para dizer na vez de “sou mais um desses tipos desonestos que se deixam cegar pela ambição”. Nuno Crato lá saberá qual terão sido os critérios que utilizou para escolher a sua equipa. Se foi o do bem plagiar, é uma lástima que não se tenha aconselhado com o seu plagiador quando resolveu inovar e modificar um modelo de concurso de colocação de professores que apesar de tudo funcionava. Bastava-lhe copiá-lo. E agora o seu Secretário de Estado na demissão. O país agradeceria o imperativo de consciência. Mesmo imperativo e mesmo consciência, com o significado que as palavras tinham antes de Durão, Santana, Sócrates, Passos e Portas terem desatado a prostituir-lhes o sentido. Com enorme mestria, diga-se de passagem. Isto vai por um caminho que qualquer dia as pessoas confundem “Maria de Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada foram MELHORES do que Crato” com “Crato conseguiu ser AINDA PIOR” do que Maria de Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada”.