quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Gostei de ler: "Tudo o que o Orçamento devia ser"


«O Orçamento para 2015 foi antecipado por uma colossal campanha publicitária: CDS e PSD travavam uma florentina batalha pela redução em 1% da taxa que extraordinarou o IRS. Seria menos um euro por semana para o salário médio nacional mas que sinal de viragem, que luz ao fundo do túnel! Ora, esta “moderação” fiscal morreu na praia e sobrou a austeridade, mãe da crise. O Orçamento para 2015 confirmará esta desistência: mais um ano em estagnação, dívida no valor mais alto da nossa história e quinze anos perdidos com o euro.

O que o governo não faz, nem as autoridades do protectorado, é olhar para os problemas do país para definir prioridades. Pelo contrário, Portugal obedece às regras dos credores.

Pois se o Orçamento fosse um esforço para a solução, começaria a responder a dois tipos de dificuldades: as urgências sociais (uma criança em cada três sofre carências essenciais, há meio milhão de jovens que nem trabalha nem estuda e os desempregados de longa duração e os emigrantes são gerações desperdiçadas) e as necessidades estruturais (a desindustrialização e a restrição imposta pelo Tratado Orçamental). No primeiro caso, é decisivo criar emprego estável e qualificante a curtíssimo prazo. No segundo, é preciso aliviar a balança de rendimentos para investir, o que exige anular parte da dívida externa.

Não há por isso outro critério para um bom Orçamento: só quando renegociar a dívida é que Portugal poderá começar a responder à sua crise dolorosa. Com o Orçamento de 2015 continuaremos a ter um governo colaboracionista para uma economia inviável, que responde com impostos e despedimentos à crise social e ao desemprego.» – Francisco Louça, no Público.

1 comentário:

fb disse...

Pois se o Orçamento fosse um esforço para a solução, começaria a responder a dois tipos de dificuldades: as urgências sociais (uma criança em cada três sofre carências essenciais, há meio milhão de jovens que nem trabalha nem estuda e os desempregados de longa duração e os emigrantes são gerações desperdiçadas) e as necessidades estruturais (a desindustrialização e a restrição imposta pelo Tratado Orçamental). No primeiro caso, é decisivo criar emprego estável e qualificante a curtíssimo prazo. No segundo, é preciso aliviar a balança de rendimentos para investir, o que exige anular parte da dívida externa.