quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Da longa série "nem o skip lava mais branco"



«No próprio dia em que os deputados da maioria decretaram, pela segunda vez, que a comissão Parlamentar de Inquérito aos Programas de Aquisição de Equipamentos Militares: aeronaves EH-101, P-3 Orion, C-295, F-16, torpedos, submarinos U-209 e blindados Pandur II estava encerrada, e que não se ouviria ali mais nenhum testemunho, a imprensa voltou a trazer revelações.

O jornal i revela detalhes de uma reunião do Conselho Superior do GES, no dia 7 de Novembro de 2003, em que os principais representantes da família Espírito Santo decidiram partilhar cinco milhões de euros da comissão paga pela empresa alemã à ESCOM. “Deram-nos 5 a nós e eles [os administradores da ESCOM] guardaram 15”, relatou Ricardo Salgado, aos seus familiares e sócios, segundo o i.

Na altura, o GES detinha 67% da ESCOM (estando os restantes 33% nas mãos de Hélder Bataglia). E o banco do grupo, o BES, fora contratado pelo Governo da altura (liderado por Durão Barroso) como parceiro minoritário do consórcio financeiro que “emprestou” o dinheiro (mil milhões de euros) para a compra dos submarinos. Também aqui, a comissão descobriu que a vitória do consórcio que integrava o BES é, no mínimo, polémica, uma vez que no final do leilão bancário, a oferta do spread (margem de lucro do banco) que ganhou era mais alta do que a que perdeu… A comissão paga pelos alemães à ESCOM incluía o trabalho na definição das contrapartidas (que foi um dos pontos que fez com que a Man-Ferrostaal ganhasse o concurso de aquisição). Contudo, esse foi um dos aspectos mais nebulosos de todo este processo, estando ainda por cumprir a maioria do valor previsto. Por isso, o pagamento à ESCOM sempre levantou dúvidas.

O Expresso revelou, em Março, que os destinatários finais do dinheiro da ESCOM, que circulou por diversas entidades e países, eram os próprios dirigentes do GES e da ESCOM. A própria empresa reconhecia isso, num comunicado inusitadamente claro: "A Escom e o seu Conselho de Administração sempre actuaram com total conhecimento e concordância dos seus então accionistas (…) E de outra forma não poderia ser, nomeadamente no que toca à definição de critérios ou políticas de distribuição de resultados a título de prémios, remunerações ou distribuição de dividendos."

Mas ninguém da cúpula do GES será chamado a explicar mais do que isto, porque a comissão parlamentar encerrou.» A maioria teve toda a pressa em encerrá-la. Nunca se esteve tão perto de perceber o destino final da comissão de 30 milhões de euros pagos pelos alemães à ESCOM. - Comissão que investiga negócio dos submarinos recusa seguir o rasto do dinheiro, por Paulo Pena, no Público.

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