segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Austeridade em ano de eleições


Fim-de-semana de Orçamento do primeiro ano de eleições das próximas duas décadas de austeridade acordadas entre os três partidos que também assinaram o memorando da nossa desgraça. A comunicação social plantou-se à porta do local onde decorria o Conselho de Ministros de onde sairia algum documento com novidades. As não notícias iam saindo, umas que iria haver redução da sobretaxa de IRS, outras que não iria haver qualquer redução. Dezoito horas depois, sim, dezoito, o número foi feito para transpirar uma imagem de árduo labor num Sábado roubado ao lazer e à família, lá foi revelada a versão final, já com a atenção geral exaurida com tanta algazarra, completamente absorvida no desenlace de mais este mistério e sem energias para reparar em mais nada. Dezoito horas depois, o Orçamento era aquilo e só aquilo, o sim ou o não a uma redução de IRS que para a grande maioria não se materializará em mais do que meia dúzia de euros. E nem foi sim, nem foi não: foi será se. Será sim se a economia e o combate à evasão fiscal o permitirem e a ser sim apenas o será em 2016. Ou seja, será não. O que importa retirar de todo este enredo, e ainda não lhe conhecemos os detalhes mais sórdidos, é que na vigência do Tratado Orçamental a austeridade selectiva não abranda nem mesmo em ano de eleições. E reforço o selectiva: foi anunciada nova redução do IRC para já e não para depois. Continuar a sobrecarregar com impostos os rendimentos do trabalho e aliviar a carga fiscal às grandes empresas. Concentração de riqueza. As sondagens contam votos suficientes para mudar a cor ao espremedor e mantê-lo a funcionar. Pior ainda é possível. Fica para depois das eleições.


No dia seguinte: A Comissão Europeia considera que o Governo tem de apresentar medidas adicionais no Orçamento do Estado para 2015, que substituam as chumbadas pelo Tribunal Constitucional, para que consiga reduzir o défice para o compromisso de 2,5% do PIB.



3 comentários:

fb disse...

Fim-de-semana de Orçamento do primeiro ano de eleições das duas décadas de austeridade acordadas entre os três partidos que também assinaram o memorando da nossa desgraça. A comunicação social plantou-se à porta do local onde decorria o Conselho de Ministros de onde sairia o documento. As não notícias iam saindo, umas que iria haver redução da sobretaxa de IRS, outras que não iria haver qualquer redução. Dezoito horas depois, sim, dezoito, o número foi feito para transpirar uma imagem de árduo labor num Sábado roubado ao lazer e à família, lá foi revelada a versão final, já com a atenção geral exaurida com tanta algazarra completamente absorvida no desenlace de mais este mistério e sem energias para reparar em mais nada. Dezoito horas depois, o Orçamento era aquilo e só aquilo, o sim ou o não a uma redução de IRS que para a grande maioria não se materializará em mais do que meia dúzia de euros. E nem foi sim, nem foi não: foi será se. Será sim se a economia o permitir e a ser sim apenas o será em 2016. Ou seja, será não. O que importa retirar de todo este enredo, e ainda não lhe conhecemos os detalhes mais sórdidos, é que na vigência do Tratado Orçamental a austeridade selectiva não abranda nem mesmo em ano de eleições. E reforço o selectiva: foi anunciada nova redução do IRC para já e não para depois. Continuar a sobrecarregar com impostos os rendimentos do trabalho e aliviar a carga fiscal às grandes empresas. Concentração de riqueza. As sondagens contam votos suficientes para mudar a cor ao espremedor e mantê-lo a funcionar. Pior ainda é possível. Fica para depois das eleições.

Anónimo disse...

e então estás com medo do k? é suposto que os 3 do costume sejam altamente penalizados e que finalmente Portugal se livre deles...humm...desconfio que sabes bem que os portugueses não são tão burros como pensas...e preferem estes do que os teus...sim, entre salazar e stalin, viva SALAZAR.....

Filipe Tourais disse...

A conversa do papão. Cola, para felicidade dos papões. Apenas um pequeno detalhe: quem defende o fim da austeridade que nos mata não tem necessariamente de ser estalinista. Eu não sou. Nem comunista, sequer.