terça-feira, 21 de outubro de 2014

A governabilidade está a passar por aqui


Rui  Pinto Monteiro, o professor que foi notícia há menos de duas semanas por ter ficado colocado simultaneamente em 75 escolas, é a prova viva e involuntária de mais um recorde que o actual Governo acaba de impor com todo o à vontade do mundo à nossa democracia nesta segunda-feira. Até ao final do dia de ontem, recebeu 95 mensagens do Ministério da Educação a oferecer-lhe horários. Hoje já eram 104. Até que consiga recusá-los, ninguém entra para o seu lugar e os alunos continuam sem professor. Também ontem, no mesmo dia em que recusou eleições antecipadas e provocando os cidadãos que lá fora se manifestavam exigindo a demissão do Governo, Pedro Passos Coelho elogiou aquilo a que chamou "a determinação de Nuno Crato", o homem certo para o lugar certo que não se arrepende de ter escolhido para a sua equipa e por essa razão lhe recusou o pedido de demissão, na resolução, palavra de Pedro, já conseguida dos problemas na colocação de professores. O Presidente da República, garante do regular funcionamento das instituições democráticas, vai dizendo que é a Pedro Passos Coelho que cabe demitir os seus ministros para não assumir que é a si que compete demitir o Primeiro-Ministro dissolvendo a AR e convocando eleições. Foi assim que o Presidente Jorge Sampaio resolveu o pandemónio em que a incompetência do Governo de Santana Lopes também mergulhava o país. E nem o país tinha a Educação neste caos, nem a Justiça em estado de Citius, nem a economia em fanicos, nem um povo prestes a sofrer um novo maior assalto fiscal de todos os tempos com a garantia de que de tantos sacrifícios voltará a resultar a pior situação do país de todos os tempos. A tudo isto, e ao  mais que seja, Cavaco vai fechando os olhos. A governabilidade está a passar por aqui. Só com - esta - estabilidade conseguiremos recuperar a confiança dos mercados.

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