terça-feira, 16 de setembro de 2014

Gostei de ler: "Casados até que a vida os separe?"


«Seguro atacou Costa porque este o atacara por ter determinado a abstenção do PS no Orçamento de 2012, e respondeu que Costa também teria sugerido a mesma abstenção. Parece que não é verdade, Costa recomendou o voto contrário. Claro que só podemos ficar ligeiramente confusos com Seguro, porque acusa Costa de ter defendido o mesmo que ele. Pecado capital.

Mas a resposta de Costa é porventura mais perplexificante: diz ele que queria o voto contra aquele Orçamento, por tão mau que era, mas preferia a abstenção a todos os Orçamentos, fossem eles o que fossem, maus ou piores.

Tudo isto tem por fonte autorizada o programa da SicN onde se faz a semanal “quadratura do círculo”. “Por sistema”, alegou Costa na SIC a 13 de Outubro de 2011, “o PS e o PSD (devem) oferecer-se condições recíprocas de governabilidade (…) abstendo-se em instrumentos fundamentais, (…) (como sejam os) orçamentos, as moções de censura e as moções de confiança”. Acrescentou mesmo que “acho que deve ser uma regra que ambos os partidos devem assumir”. Uma regra perpétua, como as promessas de casamento, até que a morte os separe.

Aqui está o situacionismo em todo o seu esplendor, mostrando porque é um dos pilares fundacionais do regime. António Costa, que acusa Seguro de ser oposição fraca neste tempo de crise abissal – e portanto quer uma oposição forte com enérgicas respostas alternativas – sugere que PS e PSD se comprometam mutuamente a uma permanente abstenção aprovatória sempre que se tratar de confirmar orçamentos (as medidas colossalmente erradas do outro, supõe-se) ou de saber se se deve ou não interromper o prosseguimento de políticas ruinosas (as moções de censura). Nunca nada, a oposição aceita aquilo a que se opõe e garante a sua continuidade, palavra de cavalheiros.

Ou seja, quanto menos valor tiverem para o país os feitos do governo, mais neutral deve ser a oposição, para todo o sempre. Supondo evidentemente que esse é o caminho para uma posição forte, como a que é precisa quando o mau governo deve ser substituído pelos que aceitam a sua continuidade. Percebemos todos?» - Francisco Louçã, no Público.

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