quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Euro para uns poucos, escudo para os restantes


Ontem destaquei aqui um contributo importante para que a nossa sociedade tenha conhecimento de causa sobre as implicações de uma eventual saída do euro, hoje destaco um estudo de uma consultora que fornece algumas pistas sobre as consequências do adiamento dessa decisão.

Assim, para quem ainda não se deu conta que mantendo o euro as desvalorizações do regresso ao escudo já são sentidas pela grande maioria que vive do seu trabalho, este estudo das folhas de salários de 302 empresas aponta o seguinte: “"em 2014 os cargos de direcção geral e administração conseguiram aumentos na ordem dos 3,31%. Os directores de primeira linha e as chefias intermédias tiveram crescimentos de 1,64% e 1,14%, respectivamente. Porém, essa não foi a realidade para os trabalhadores com funções comerciais e vendas ou para os operários. Nestes patamares, registou-se uma descida de ordenado que chegou aos 1,41% (operários) e aos 0,14% (comerciais). Noutras funções, como administrativos ou quadros superiores, a evolução face a 2013 foi quase residual: 0,44% e 0,97%, respectivamente.” Os primeiros permanecem no euro, os segundos há muito que estão no escudo.

Acresce referir que, dada a desvalorização salarial dos segundos, que são a grande maioria, e uma vez que são os seus salários que geram o grosso das contribuições para a Segurança Social que pagam as pensões de reforma e as prestações sociais e que são também esses salários que geram mais de 75% dos impostos que pagam os serviços públicos, quer a degradação da qualidade e a redução da quantidade destes últimos, quer a implosão do sistema de pensões são consequências mais do que naturais num contexto de desvalorização salarial constante.

Pelo seu lado, quer a tão desejada fixação de um tecto máximo para as contribuições para a Segurança Social, quer a reforma do IRS que vem reduzindo a progressividade do imposto garantem a quem têm que garantir a permanência no euro, ao mesmo tempo que aceleram ainda mais o regresso ao escudo da grande massa amorfa que nada vai fazendo pelo seu presente e pelo futuro das gerações vindouras. Euro para uns, escudo para os restantes. E paz social e alternância do centrão para atestar a satisfação de todos.

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