terça-feira, 2 de setembro de 2014

Eleições à vista


Banco “bom”, banco “mau”. Partido “mau”, “que se lixem as eleições”, eleições à vista, partido “bom”. E as eleições são já para o ano. O Governo recuou e já não vai avançar nem com o aumento da taxa de IVA, nem com a subida da Taxa Social Única (TSU). Esta opção do Executivo eleva para 662 milhões de euros o desvio relativamente ao imposto pelo Tratado Orçamental com que começa a preparar o Orçamento do Estado para o próximo ano, o último com cortes salariais na Administração Pública pelo menos até nova decisão grotesca do Tribunal Constitucional. E no ano imediatamente a seguir? Sem cortes salariais, em 2016, o Governo do partido “mau” que consiga levar a melhor sobre a concorrência mesmo sem se comprometer a rasgar o malfadado Tratado Orçamental, seja ele o PSD ou o Novo PS, irá tomar medidas para não desagradar à rainha Merkel e à sua corte de Bruxelas. Que medidas serão essas? Privatização de serviços públicos e respectivos despedimentos? Mais aumentos brutais de impostos sobre o trabalho e sobre o consumo? São partidos “bons”, não falam sobre estas coisas. A Alemanha quer um super Comissário não eleito com o poder de vetar os Orçamentos aprovados pelos parlamentos nacionais eleitos democraticamente em cada país da União Europeia. Os partidos “bons” do arco da subserviência também não lhe disseram que não. Povo "bom", povo mau. O "melhor povo do mundo" resiste sempre muito bem a estes testes de stress à sua capacidade de comer e calar. “Ai aguentam, aguentam”. "Não há-de ser nada".


Vagamente relacionado: A dívida pública portuguesa tinha atingido no final de Junho o valor mais elevado de sempre, mas no final de Julho esse montante voltou a ser ultrapassado. Do final de Junho de 2014 para o final de Julho a dívida passou de 223,27 mil milhões de euros para 224,53 mil milhões, segundo os critérios de Maastricht. Num mês apenas, a dívida pública aumentou 1.260 milhões de euros e pode já ter chegado aos 134,7% do PIB. No final de 2011, era de 108,3%.


Ainda mais vagamente: O dinheiro dos contribuintes que já foi injectado no Novo Banco pode não chegar para tapar o buraco aberto pelos Espírito Santo, alerta a KPMG. A auditora duvida do valor dos activos que passaram para o Novo Banco e recusa-se a assinar as contas do primeiro semestre deste ano. A KPMG diz que o impacto das medidas de resolução aplicadas pelo Banco de Portugal é "significativo" para a condição financeira do banco e que tanto a recuperabilidade e realização de activos como o reembolso dos seus passivos "é incerta, uma vez que na presente data não são conhecidos os critérios e bases de avaliação dos mesmos para efeitos da sua transferência para o Novo Banco".

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