domingo, 27 de julho de 2014

Quando o telefone toca (edição especial "de esquerda")


"... António Costa tentava fazer o mesmo, circular, quando não era puxado para um canto por um militante para discutir a importância essencial de um qualquer tema ou para atender um qualquer telefonema de um telemóvel que não era o seu."


– Está lá, "quando o telefone toca", edição especial "de esquerda", convenção "mudar Portugal"?
– Posso dizer a frase?
– Venha ela, camarada ouvinte.
– Então cá vai: "o Seguro tem cara de bosta, o Costa promete o que a malta gosta".
– Muito bem. E agora o seu pedido.
– Vai para aí um grande burburinho  motivado pela decisão de não falar sobre a austeridade que se perspectiva para as próximas décadas se não rasgarmos o Tratado Orçamental e se não renegociarmos a dívida. eu queria ouvir uma música bonita com uma letra sobre este tema. Não é preciso dizer "rasgar" ou "renegociar", basta dizer "ajustar". "Ajustar não o compromete com nada, afinal, "ajustar" é o que um homem quiser.


A terminar a convenção: "Foi aí que [António Costa] falou nesse “novo equilíbrio entre compromissos”, que identificou. Prometeu um Governo “batalhador” na Europa que lutasse por “uma nova leitura do Tratado Orçamental”, que permitisse “ajustar as metas ao ciclo económico”, e assumiu a batalha para equilibrar a necessidade “de cumprir o serviço da dívida e as necessidades de investimento” da economia. Falou em “refocar o quadro financeiro” europeu, já depois de lembrar que esse embate na Europa não teria de ser feito sozinho, ao referir que já via “mudanças” nos discursos tanto do novo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker [ai, uiui, ai, ui], como no próprio Conselho Europeu."


Antes da Convenção: "Confrontado com essa ausência, o presidente da Câmara de Lisboa explicou que o papel que pretende para a convenção é o de colocar o país a “olhar para o futuro”, focando-se assim na “resolução dos seus problemas estruturais que têm bloqueado o desenvolvimento [nacional] e a convergência com a União Europeia”. “Não podemos viver limitados ao dia de amanhã”, rematou. Para António Costa, a consolidação orçamental e a dívida portuguesa é “uma questão instrumental” que implica medidas de “curto prazo”. Não cabe, por isso, no debate sobre a “visão estratégica” que pretende definir para o país. “Nenhum país se pode mobilizar em torno dos objectivos de amanhã”, insistiu."


– Estou sim, "quando o telefone toca", convenção "mudar Portugal"?
– Posso dizer a frase?
– Venha ela, camarada ouvinte.
– Então cá vai: "o Seguro não dá luta, o Costa promete maioria absoluta".

– Muito bem. E agora o seu pedido.
– Ó pá, então eu e o Daniel tivemos uma trabalheira enorme para pôr o circo a arder no Bloco de Esquerda, andamos a dizer ao pessoal que vamos finalmente unir a esquerda e regenerar o PS e o Costa aparece todo amigalhaço do Rio  a mandar-se para um Governo de Bloco Central com pacto de regime para os próximos dez anos e tudo? Ó pá, não pode ser, assim ninguém nos leva a sério e somos nós que nos queimamos. Ponham aí uma música bonita sobre uma esquerda unida e feliz. Não é preciso dizerem que se vão coligar connosco, até porque nós ainda nem expressão eleitoral temos. Escusam de negar que se coligarão com o PSD, mas digam assim qualquer coisita sobre não quererem coligações com o actual Governo, o pessoal vai pensar que é a mesma coisa.


A terminar a Convenção: "Outra das “três questões políticas” a que se propôs responder foi “como governar”. Pediu a “maioria absoluta” porque, apesar de ver “com interesse as várias e livres animações” na esquerda, reconhecia com “realismo” que nesse espectro “nunca” o PS tinha encontrado “disponibilidade” para “assumir a responsabilidade” de governar. “Temos que estar preparados para assumir por inteiro as nossas responsabilidades”, avisou perante o entusiasmo dos seus apoiantes. Mas a ovação maior foi quando Costa fechou a porta ao actual PSD e CDS. “Para sermos alternativa ao Governo, não podemos ser governo com quem faz parte do actual Governo. (...)Sócrates e Guterres, aliás, foram sempre aplaudidos de cada vez que os seus nomes foram referidos. Nomes de esquerda assumidos como uma bandeira das políticas de esquerda. Porque, rematava Costa, já bastava de direita. “Quem pensa como a direita acaba a governar como a direita”, atirou o desafiador de António José Seguro." "O autarca de Lisboa indicou ainda que se os partidos de Esquerda deixarem de ser de protesto contará com eles e lembrou que «não será por mim que qualquer partido à nossa Esquerda é excluído do acesso à governação»."

Antes da Convenção: "Rui Rio, ex-presidente da Câmara do Porto, e António Costa, actual presidente da Câmara de Lisboa e candidato a líder do PS, defenderam esta terça-feira um entendimento de regime ou um acordo a dez anos entre os protagonistas políticos. "A maioria absoluta [como defendeu António Costa] é o mais importante, mas pode não ser o garante fundamental para um acordo de regime ou a dez anos. O importante é a capacidade dos protagonistas porem o interesse nacional acima de tudo e não o interesse partidário, assim pode-se conseguir um entendimento de regime", afirmou Rui Rio. Concordando com o ex-autarca do Porto, António Costa disse que "a questão básica tem a ver com a confiança"."

 

– Alô, "quando o telefone toca", edição especial "de esquerda", convenção "mudar Portugal"?
– Posso dizer a frase?
– Venha ela, estimado ouvinte.
– Então cá vai: "o Seguro é um copinho de leite mesmo nada baril, o Costa é que nos vai dar a receita da chamuça e do caril".
– Hmmmm.... Muito bem. E agora o seu pedido.
– Já disse, as melhores receitas  de chamuças e de caril que souber.
– Lamento, camarada ouvinte, não vai ser possível. Não é isso que a plateia quer ouvir. Vai ter que ficar para uma próxima, está bem? Mas o camarada vote em mim que eu depois mando-lhe as receitas por e-mail, ok? Fica prometido, palavra de Costa.

3 comentários:

Anónimo disse...

Foi com paleio deste teor que se formou a Santa Aliança que nos trouxe à desgraça em que estamos hoje!
Força camaradas, comecem já a atacar Costa por todos os lados, que afinal o que é bom é o Passos/Portas/Cavaco.

Filipe Tourais disse...

Vocês deviam ser os primeiros a travar os intrujões e as intrujices, mas basta-vos vê-los eleitos, isto para vocês é um Benfica-Sporting. Pois para mim não é e o Costa não fica melhor nem pior por Passos E Portas serem maus, tal como eles não ficaram melhores por Sócrates também ter sido mau.

Anónimo disse...

Como quando eu era puto e jogava à batalha naval eu digo, água!...
(Não tenho nada a ver com Seguro ou Costa, votava no PCP, mas agora deixei pura e simplesmente de votar.)