terça-feira, 1 de julho de 2014

* * * * * Notícia CHOQUE * * * * *



"Instabilidade do BES contagia juros da dívida pública", É a grande manchete do Público desta manhã. Como se comportaram os juros dos outros países da periferia europeia? Para evitar as manipulações da opinião pública com que a imprensa económica se associou ao Governo e à troika nos três últimos anos de  esbulho aos portugueses, a notícia deveria responder à pergunta e não o faz.... mas também não tem mal. O "contágio", lê-se no corpo da notícia, trata-se afinal de uma variação de 0,004% no prazo a 3 anos. A autora do artigo, Cristina Ferreira, devia estar com um "sentimento negativo", como eles tanto gostam de dizer. Podia ter-lhe dado para se lançar na abordagem que evitou, a de como é que tudo o que se está a passar no universo BES está a acontecer sem que por cá se fale sequer em processos crime, inquéritos judiciais, detenções ou congelamentos de bens, que é o que realmente surpreende nisto tudo. Estamos em crise, as "poupanças" são uma explicação mais do que ajuizada. E a família Espírito Santo manda no país há mais de 100 anos e quem se mete com os grandes arrisca o posto de trabalho no curto prazo. Há que saber jogar. No longo prazo, quando a bomba atómica rebentar, toda a gente andará demasiado alterada para se lembrar do bom trabalho de todas as formiguinhas da desinformação.


Vagamente relacionado: título do I “Estaleiros. Governo "não teve alternativa" face a investigação europeia” em vez de “Estaleiros. Governo DIS QUE "não teve alternativa" face a investigação europeia. O BES esteve envolvido na venda ao desbarato dos Estaleiros de Viana do Castelo aos irmãos Martifer, como não poderia deixar de ser. Está sempre presente nos grandes negócios públicos.


Ainda mais vagamente: “Pergunta do milhão de euros: como é possível que um caso com a dimensão do BES só se conheça agora? Como é possível que nós, gente dos jornais e da comunicação social, tenhamos tido ao longo dos anos notícia de tantas pontas soltas – basta ver o número de casos em que o banco esteve envolvido –, mas ninguém tenha sido capaz de unir as várias pontas e perceber aquilo que realmente se estava a passar?” – João Miguel Tavares, também no Público.

4 comentários:

Anónimo disse...

"Isto está anda tudo ligado"! O Público há muito que está bem alinhadinho com o coro. Quanto a estes "jornalistas" deviam tem um bocadinho de vergonha, mas às tantas também têm a hipoteca para pagar, não é? Olhe, continue a compilar e expor que parece que neste país não há quem tenha memória.

João Pimentel Ferreira disse...

O Estado faz um saque fiscal a milhares de pequenas e médias empresas que empregam centenas de milhar de pessoas. Se uma dessas empresas por dificuldades económicas falir, ou tiver uma enorme dívida ao fisco, o Estado é implacável, e nunca ouvi falar de empresas, nos diversos setores, salvas pelo erário público, mesmo estando em risco "Estado, clientes, fornecedores, trabalhadores e os proprietários". Virou moda salvar bancos, os mesmo que já tinham enormes benefícios fiscais (IRC) e deixaram o mundo financeiro na lama! Nem mais um cêntimo do erário público para salvar bancos! Podem falir, se alguém tiver um depósito numa qualquer cooperativa, ou um investimento, o Estado também não fará lhe resgate, caso haja uma falência.

CM disse...

À uns tempos li uma reportagem, não sei, se na Sábado ou na Visão, sobre a arvore genológica das famílias mais ricas de Portugal, eles casam-se uns com os outros as famílias mais influentes do pais tentam manter todo o poder concentrando-o no seio de pouquíssimas famílias, assim podem controlar tudo, um tio que chega a administrador de um banco, um primo que está como diretor de um jornal, o sobrinho que é chefe de redação numa televisão, etc. É assim que controlam PORTUGAL.

Filipe Tourais disse...

Deve estar a falar no livro que depois deu origem a um documentário, "Os donos de Portugal". Está aqui.