segunda-feira, 14 de julho de 2014

Não há milagres grátis


Assistência aos empresários. Pôr todos os contribuintes a subsidiar salários a empresas. Os estágios profissionais duram no máximo um ano. O Estado paga entre 80% e 100% do salário contratado pelas empresas. O programa Estímulo Emprego dura até 18 meses e garante às empresas um desconto suportado por todos os contribuintes entre 50 e 60% sobre o salário que estas pagam aos seus empregados. Fazer depender o recebimento do subsídio de desemprego, direito que cada desempregado constitui através de descontos realizados sobre o seu próprio salário, de trabalho gratuito ou quase gratuito obrigatório para entidades públicas e privadas. O Governo retirou 161 868 portugueses às estatísticas do desemprego através destes planos de fomento do trabalho comparticipado. A taxa de desemprego está oficialmente contabilizada em 15,1% da população activa. Se lhe adicionarmos os valores deste "emprego artificial", trepa imediatamente para 18,2%, valor que peca por defeito por excluir os 61.700 portugueses com menos de 34 anos que emigraram só nos primeiros três meses deste ano e as centenas de milhar de desencorajados que as estatísticas contabilizam como população inactiva. A taxa de desemprego tem vindo a diminuir, pois tem. E somos todos nós, contribuintes e desempregados, que estamos a pagar o milagre. Mais de noventa por cento dos postos de trabalho conseguidos através da intervenção do Instituto do Emprego e Formação Profissional foram subsidiados pelo Estado. Não há milagres grátis, mas há trabalho grátis, o que vai dar quase ao mesmo. Que o digam todos os empresários bafejados pelo milagre de poderem enriquecer à nossa custa. Abençoada crise. Bendito ajustamento.


Vagamente relacionado: O Fundo de Garantia Salarial (FGS) da Segurança Social tem-se recusado a pagar salários e outros créditos a trabalhadores de empresas que têm planos de recuperação a correr nos tribunais. Esta decisão abrange tanto as empresas insolventes que estão a tentar viabilizar-se, como as empresas que recorreram ao Processo Especial de Revitalização (PER), uma alternativa à insolvência. Os sindicatos alertam que podem estar em causa perto de três mil trabalhadores. Alguns não se conformaram, recorreram à justiça e já há pelo menos duas sentenças que lhes são favoráveis.

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