sábado, 26 de julho de 2014

Gostei de ler: "PS: campanha para o troféu sexy platina"



«Imagine-se a carga de pancadaria que levaria António José Seguro se resolvesse convocar uma conferência de imprensa sobre uma "convenção" e agenda de 10 anos para o país e se se recusasse a dizer o que pensa sobre a consolidação orçamental, o que pensa sobre a reestruturação da dívida e de como sair do buraco em que estamos, alegando que queria ir às "origens da falta de competitividade da economia portuguesa". O Largo do Carmo e a cervejaria da Trindade haveriam de cair estrondosamente, o blogue inventado pelos assessores de Sócrates no governo faria algumas graçolas de gosto duvidoso, o Twitter e o Facebook ficariam atordoados de tantos apoiantes de António Costa a criticarem a "ausência", "a falta de opiniões", a "hesitação", a "falta de firmeza", a "falta de projecto para o país" e para o seu problema mais imediato.

Para azar de muitos desses apoiantes, não foi Seguro a protagonizar a conferência de imprensa em que o tempo dedicado à questão da dívida foi zero, mas sim o "homem que tem um projecto", a "alternativa", o dirigente "decidido". Agora vão manter-se caladinhos, por várias razões: alínea a) acreditam em António Costa como quem acredita na Virgem Maria e nos seus milagres a prazo; alínea b) não acreditam muito mas não têm nenhum outro amigo que seja candidato a primeiro-ministro pelo PS; alínea c) no fundo sempre souberam que a ausência de respostas de Seguro é a ausência de respostas da social-democracia europeia em geral, mas o argumento dava jeito para o remover do cargo de secretário-geral.

Para quem foi tão festejado por alguns elementos da esquerda do PS, por militantes do Livre e ainda alguns do futuro partido de Ana Drago que quer "governar" com o PS de Costa, o candidato a primeiro-ministro não poderia ter tido uma semana mais extraordinária. A estreita relação com Rui Rio foi suficientemente exposta, com os dois eventuais protagonistas de um futuro bloco central a concordarem num pacto de regime a 10 anos. E o discurso do "depois vemos como tratamos das finanças" faz temer o pior no que respeita a uma alternativa à austeridade em vigor. Descobrir nos meandros do Tratado Orçamental qualquer coisa que ajude o país é a ideia de Costa - anunciada na entrevista do fim-de-semana ao "Público". Convenhamos que é muito pouco e nada diferente do que tem sido sugerido e anunciado por Seguro. O concurso "sexy platina" do "Correio da Manhã" ao menos não ilude ninguém.» – Ana Sá Lopes, no I.

Vagamente relacionado: Era uma vez um projecto comunitário que há seis anos vinha transformando um terreno baldio mal frequentado e cheio de ervas e de entulho numa horta feita por todos os vizinhos que quisessem participar para todos os vizinhos que assim se quisessem integrar. Mas aquilo estava a fazer tanta impressão ao senhor Presidente da Câmara António Costa e ao seu Vereador José Sá Fernandes que um dia estes dois homens de "esquerda" decidiram imitar o que o homem de direita Rui Rio havia feito no Porto à escola da Fontinha, um projecto com semelhanças até na brutalidade com que foi desmantelado. (30 de Junho de 2013, continuar a ler)

Ainda mais vagamente: "Ontem, por ordem de Rui Rio, um grupo de rufias fardados deu folga à tal gandulagem de que tanto se fala para ir à escola da Fontinha expulsar quem nela todos os dias dava o seu melhor para servir a sua comunidade. Ao murro e ao pontapé, empregando uma brutalidade inimaginável, tratamento que excede largamente o mandato conferido pelas fardas que ultrajam, até mesmo se o aplicassem a criminosos que aqueles cidadãos claramente não são. Partiram tudo. Computadores, bicicletas, material didáctico, brinquedos. Tudo isto para que Rui Rio possa devolver aquele imóvel à inutilidade degradada. Tudo isto para que aquelas crianças sejam empurradas para uma existência degradante." (20 de Abril de 2012, ler artigo completo)

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