quinta-feira, 17 de julho de 2014

Desculpem qualquer coisinha


Antes de dizer o que direi a seguir, por não querer manchar esforços tão bem intencionados, sinto-me na obrigação de pedir desculpa a muita gente. Ao padrinho dos consensos que mora em Belém, aos seus afilhados que descobriram que vão salvar o país salvando o Pacto de Estabilidade e Crescimento e abrigando-se debaixo deste e de um dos partidos que o aprovaram, àqueles socialistas que respondem a constatações como a que farei a seguir com um “o vosso inimigo é sempre o PS, que é de esquerda, e não os partidos de direita”. A todos as minhas desculpas por constatar o facto de os mesmos eurodeputados do PS que andaram em campanha a oferecer Martin Schülz como o seu candidato à presidência da Comissão Europeia terem todos – e repito o todos – dado o seu voto ao mesmíssimo Jean-Claude Juncker que na mesma campanha apresentaram como o elemento a evitar. Por que razão o fizeram? Jian-Claude Junker nem necessitava dos votos dos socialistas portugueses para nada, seria sempre eleito. Talvez a revelação de há dias de ter vizinhos portugueses no Luxemburgo, não sei. O que sei é que mais uma vez o PS foi tão de esquerda como aqueles que actualmente detêm o poder que cobiçam tão raivosamente sem terem nada de diferente para oferecer. E também mais uma vez voltou a rasgar compromissos assumidos em campanha, inclusivamente festejando o feito a seguir. A política não pode ser o voto pelo voto, o poder pelo poder. Senão não é política, é embuste. O embuste que está a fazer renascer por toda a Europa velhos monstros mesmo nada democráticos e comprovadamente capazes de desencadear guerras mundiais, desculpem lá recordá-lo.




Sem comentários: