segunda-feira, 21 de julho de 2014

Aproveitar, aproveitar, aproveita®

Na última Quarta-feira, Pedro Passos Coelho garantiu que Portugal não voltará a desperdiçar fundos comunitários como no passado e  que iremos "aproveitar bem" os mais de 25 mil milhões de euros que receberemos da UE entre 2014 e 2020. Declarações realmente insólitas, quer por terem vindo de quem vieram, um ex-empreendedor do sector que garantiu a formação de centenas e centenas de trabalhadores de aeródromos desactivados, quer porque os fundos comunitários continuam a ser muito bem aproveitados, conforme nos dá boa conta a imprensa do dia. Fernando Sousa, um antigo colaborador de Pedro Passos Coelho na Tecnoforma, empresa onde o primeiro-ministro e o amigo Miguel Relvas trabalharam para qualificar todo o pessoal existente e inexistente de uma área com uma importância tão estratégica para o país como a aviação civil, ganhou um contrato de 2,5 milhões de euros para “selecção, eliminação e inventariação das fontes documentais existentes nos governos civis que o Governo de Passos Coelho extinguiu para poupar dinheiro”. A cronologia do processo revela que o serviço foi adjudicado ao Cepese em Fevereiro de 2013 e só depois, em Março, já com tudo decidido, saiu uma portaria lançando um concurso público para escolha da entidade que já estava escolhida. A adjudicação foi assinada pelo então secretário de Estado adjunto do MAI, Juvenal Silva Peneda,  o qual, anos antes, em 2006, trabalhou para o Cepese. Aproveitar bem, disse Passos Coelho, Desperdício zero, como é bom de ver. Tudo em família. Os abstencionistas vibram com estas coisas.


Da série anterior da colecção "tudo em família": O julgamento da ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues entrou hoje na reta final com as alegações do Ministério Público. O procurador Vítor Pereira Pinto pediu a condenação da professora universitária a uma pena de cinco anos de prisão, que só deverá ser suspensa se a arguida devolver ao Estado os 200 mil euros que o ministério da Educação pagou por um estudo sobre legislação do sector da educação. O MP pediu igualmente a condenação do autor do estudo, João Pedroso, irmão do ex-ministro socialista Paulo Pedroso e do antigo secretário-geral do ministério, João Baptista. O procurador só admite a absolvição de Maria Matos Morgado, chefe de gabinete de Maria de Lurdes Rodrigues. A ex-governante, que interveio várias vezes durante julgamento, está acusada do crime de prevaricação uma vez que o MP considera que o estudo era inútil e não foi feito com a profundidade necessária. (17/07/2014)

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