quarta-feira, 25 de junho de 2014

Que nojo


Um grupo de seguristas, entre eles o tal colaboracionista que andou anos a fio a fazer-se passar por sindicalista e a oferecer direitos laborais de mão beijada para agora poder estar a gozar a recompensa em Bruxelas, lembrou-se subitamente de apontar erros à governação Sócrates. Concordo com alguns dos erros apontados, discordo de outros, constato que muito do pior dos piores do socratismo não se encontra na lista, mas o que de mais significativo retiro desta iniciativa é a aridez de princípios da parte deste gang que, para obter proveitos pessoais, sempre aplaudiu Sócrates e agora, em desespero de causa e novamente em proveito próprio, o ataca desta forma despudorada. É certo que irão obrigar a outra facção a fazer o que sempre tentaram evitar o mais possível, posicionarem-se no aplauso ou na crítica ao socratismo, o que será sempre positivo. Caramba, mas não vale tudo.

No dia seguinte....

Não é só Seguro que aponta erros à era Sócrates. António Costa também já o fez. Ex-PM volta a ser arma de arremesso, agora na campanha PS.


«o dia de ontem foi tão bonito que eu quase chorei: pela primeira vez na vida, vi socialistas penitentes. Socialistas arrependidos. Socialistas macerados. Socialistas a assinarem um manifesto onde admitem que durante seis anos pecaram muitas vezes por pensamentos, palavras, actos e omissões, por sua culpa, sua tão grande culpa. Socialistas a criticarem “os seis trágicos anos do descalabro económico, financeiro e social, que foi a governação de José Sócrates”. Socialistas a afirmarem: “Nesse período sempre verificámos com angústia, como certamente muitos outros portugueses e socialistas, que o interesse nacional andou a reboque dos interesses partidários do grupo no poder.” E mais: “Sofremos o silêncio cúmplice de quem tinha a obrigação e o poder de evitar que o PS conduzisse Portugal para os braços da dependência internacional e para o sacrifício de milhões de portugueses.” E ainda: “Sejamos sérios, o actual governo é um mau governo, mas não foi este Governo que preparou o terreno para os cortes salariais, para as privatizações feitas sem critério e para o descrédito das instituições. Fomos nós, socialistas, que o fizemos, e quanto mais rapidamente o compreendermos melhor será para o PS e para Portugal.” Que bonito, meu Deus. Um grande aleluia para este manifesto.» – in “os cegos vêem e os coxos andam”, por João Miguel Tavares.

Sem comentários: