sábado, 28 de junho de 2014

Mais um post sobre crime organizado


O governo "não tem qualquer razão para temer questões de estabilidade financeira" no Banco Espírito Santo, garantia ontem a ministra das Finanças e das mentiras no parlamento. Nesse mesmo Parlamento e também ontem, o sempre prestimoso governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, invocou o sigilo bancário para se escusar a prestar informações aos deputados da comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, sobre as mudanças em curso no BES. Ao final do dia, a imprensa falava em derrocada para assinalar um dia negro para os accionistas  do grupo: cotações em queda livre, mais de 11% e uma desvalorização de 523,1 milhões em apenas um dia no caso do BES e demais de 18% e 80 milhões também num só dia no caso da ESFG.

E hoje dissipou-se um pouco do mistério dos milhões que há um par de semanas apareceram nas notícias como evaporados por artes mágicas no BES Angola. Entre o final de 2009 e Julho de 2011, o Banco Espírito Santo Angola (BESA) fez 12 transferências para duas contas no Crédit Suisse, num total de 27,3 milhões de dólares (perto de 20 milhões de euros), em que terão sido beneficiados o presidente demissionário do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, e pelo menos o administrador-executivo por ele apontado para lhe suceder no cargo, Amílcar Pires, avança hoje o Expresso. O semanário indica ainda que as duas sociedades estão na lista de clientes da Akoya, empresa de gestão de fortunas ligada ao caso de branqueamento de capitais e fraude fiscal Monte Branco, no qual curiosamente Ricardo Salgado e Morais Pires não são arguidos. Estamos em muito boas mãos. Já lá vai o tempo em que os bancos eram assaltados por gente de fora. E já lá vai o tempo em que governantes e supervisor não faziam parte da quadrilha.


Vagamente relacionado: A WikiLeaks divulgou um documento de trabalho das negociações que estão a decorrer em segredo com vista a uma radical desregulamentação dos sectores bancário, financeiros e de serviços a nível mundial, que abrange 68% do comércio mundial. O documento fala em liberalização internacional dos serviços de telecomunicações, financeiros, informáticos, distribuição de retalho, entregas rápidas e de profissões como advogados, arquitectos, engenheiros e contabilistas e nele se revela estar em curso uma tentativa de maior desregulamentação dos sectores abrangidos e uma maior troca de informações confidenciais particulares entre os Estados que venham a ser membros, entre eles os da União Europeia. O documento revelado pela WikiLeaks indicia que os bancos passarão a ter maior liberdade de acção em países terceiros e as regras de controlo da sua acção deixam de se reger por critérios restritivos. (mais aqui e aqui).

Ainda mais vagamente: Alexandre Soares dos Santos disse, nesta Quarta-feira, que o Grupo Jerónimo Martins deve transferir a sua sede para Genebra. O segundo homem mais rico de Portugal diz “não existir banca” no país e que os empresários devem “exigir” que o Estado lhes devolva os impostos. O segundo homem mais rico de Portugal quer ainda pagar menos impostos e receber mais benefícios do Estado. Recordemos que a Sociedade Francisco Manuel dos Santos SGPS, da família Soares dos Santos, foi a empresa privada que recebeu mais benefícios em 2012 (80 milhões de euros. Lembremos ainda que Alexandre Soares dos Santos, a sua família e as empresas que controlam também se têm destacado pelos esquemas que utilizam para fugir ao pagamento de impostos. Com esse objectivo, com o Governo a ver, no último dia de 2011 , passaram o controlo das acções que a família detém na Jerónimo Martins para uma sociedade com sede na Holanda.

E nadinha a ver com:  acaba de ser aprovada no Conselho de Direitos Humanos da ONU uma resolução que cria um grupo de trabalho para elaborar uma proposta de instrumento legal que obrigue as multinacionais a respeitarem os direitos humanos. A UE foi contra.

1 comentário:

manuelpereirabarros Meira disse...

Alguém teve dúvidas sobre a seriedade do sistema bancário?
Eu,nunca!