domingo, 8 de junho de 2014

Era uma vez um partido (continuação)

Foto: Público

É diferente escrever uma carta às esquerdas a apelar à união quando se ganha e quando se perde eleições. Quando se ganha, soa a “aproveitem a nossa dinâmica de vitória, juntos podemos mais”. Quando se perde, e mais quando a derrota é pesada e é a segunda consecutiva, soa a “socorro, ajudem-nos a não desaparecer de vez”. E não estou a dar novidade nenhuma, qualquer liderança , até mesmo a de um clube de adolescentes, faz por não o esquecer para evitar fazer figuras tristes.
Lembrei-me disto, que escrevi há dias em jeito de comentário à "carta às esquerdas" que a coordenação do Bloco de Esquerda pôs a circular na imprensa, ao ler a entrevista de hoje da Ana Drago ao Público, onde diz que o Bloco precisa de ser mais humilde. Mais ainda? Não a entendo.
A convergência que defende ser urgente fazer acontecer, a não ser a mesma que se lê na carta de há dois dias, e que a Ana Drago sabe – e admite na entrevista  – não ter sido possível por manifesta falta de vontade das outras forças políticas envolvidas, obrigá-la-ia a assumir uma ruptura com a direcção que a defende.
Mas a Ana Drago diz textualmente que "o problema do Bloco não é um problema de liderança, ou de comunicação. É um problema de estratégia", a da tal aliança que só será possível se as outras forças também estiverem interessadas, que só será vantajosa para o Bloco em determinadas condições e que só faz sentido falar nela num cenário de eleições próximas, o que não parece ser o caso.
E então para quê insistir tanto numa questão tão gasosa? Como é que o problema do Bloco não passa pela sua liderança nem pelos seus mais que visíveis défices de comunicação, se é a própria a admitir que as pessoas estão a deixar de ver utilidade no Bloco? A entrevista começa com um “hoje milito no Bloco. Mas isto é um dia de cada vez…” Ficaria muito desapontado se tudo isto for a preparação de um salto para aquele partido que nasceu do protagonismo de um eurodeputado eleito com votos de esquerda nas listas do Bloco e acabou sentado na bancada  onde agora Marinho Pinto queria sentar-se. Por toda a admiração que lhe tenho, se a Ana Drago quer sair, e ninguém é obrigado a ficar onde não se sente bem, andar a cozinhar o "fui obrigada a sair" não casa com a frontalidade que sempre a caracterizou. E é atitude que a Ana sabe desgasta ainda mais um partido já sobejamente desgastado.

1 comentário:

Anónimo disse...

Acertou na mouche.