sexta-feira, 6 de junho de 2014

Da série "ABC do populista"

"Eu quero ser Presidente da República, não me interrompam porque eu quero ser Presidente da República."

Como o próprio nome indica, o populista alinha-se sempre com o lado mais popular. Ora, se os funcionários públicos  estão em minoria na população activa, cerca de um funcionário público para oito trabalhadores do privado, e se o que está em causa é uma escolha entre distribuir sacrifícios entre todos os nove ou pôr aquele  um a pagar por todos - se alguém tiver que pagar, que pague o vizinho -, o pragmatismo do populista começa por pôr de lado a ideia de que não é nenhum dos nove que deve pagar e sim quem tem beneficiado com a austeridade bastante selectiva dos últimos anos para a seguir se virar para o lado que lhe pode render mais apoios. Para não perder nada com a tirada, para que ninguém o acuse de se colocar ao lado do Governo, esboça uma acusação em grande estilo a um dos seus membros, que identifica como o único populista de um episódio cheio deles.. E já está. “Ó comadre, o que foi que ele disse?” “Não percebi muito bem, compadre, mas disse mal do Governo, daqueles juízes que ganham milhões e daqueles funcionários públicos cheios de mordomias que não fazem nenhum. Gostei.”

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