quarta-feira, 14 de maio de 2014

"Um sector financeiro sólido e estável"


Apesar da destruição de empregos continuar a aumentar a bom ritmo sobre uma taxa de desemprego que se reduz pela diminuição da população activa e de programas ocupacionais que vão garantindo o regular funcionamento da fábrica de sucessos, uns dizem que é a retoma, outros que são sinais de esperança e que agora que a troika alegadamente se vai daqui é que vamos finalmente colher os frutos do que não foi semeado. E na Bolsa de Lisboa o dia começou com toda a gente a despachar as acções que ainda detinha do BCP e do BES a um ritmo frenético reflectido em recordes nas quedas das cotações respectivas, um trambolhão de 7,09% no caso do BCP e outro de 6,15% no do BES, que têm sucessivamente acumulado prejuízos de vários milhares de milhão. A propaganda foi repetindo o diagnóstico “um sector financeiro sólido e estável”. Para além das injecções em barda de dinheiros públicos que taparam buracos sem resolverem problema algum, também foram três anos a falar de supervisão para fazer de conta que nada de errado se passava com os maiores bancos portugueses. E os rumores vão circulando. Ninguém sabe ao certo quando será que a bolha finalmente rebentará, a única certeza é a de que esse dia amanhecerá com toda a gente a vender e com as cotações em queda livre. Como hoje.




Ainda mais vagamente:  apesar do abrandamento das exportações, a recuperação da procura interna, sobretudo do investimento, permitiu à economia portuguesa crescer 1,2% nos três primeiros meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado, embora nessa altura a economia portuguesa afundasse a ritmo acelerado – 1,2% melhor do que péssimo fica bastantes furos abaixo de bom. Até porque na comparação com o trimestre anterior o produto interno bruto (PIB) caiu 0,7%, invertendo a tendência de crescimento em cadeia que se verificava desde o segundo trimestre do ano passado e contrariando o optimismo que Governo, troika e seus comentadores de serviço tentam pintar como sinais de recuperação.
E nada a ver com: os quatro maiores bancos privados portugueses apresentaram um prejuízo de 192,7 milhões de euros nos primeiros três meses do ano, um agravamento de 29,4 milhões de euros em relação ao mesmo período do ano anterior. O BPI teve o maior prejuízo do sector, com uma perda de 104,8 milhões de euros. O BES fechou o primeiro trimestre do ano com um prejuízo de 89,2 milhões de euros (62,0 milhões de euros registado em igual período do ano passado.) , com resultados operacionais negativos em Portugal de 103 milhões.O BCP também acumulou prejuízos, embora baixando de 152 milhões para 40,7 milhões de euros. Apenas o Santander Totta regista lucros, 42,1 milhões de euros.

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