sábado, 17 de maio de 2014

Um dia igual aos outros



Primeiro de Dezembro de 1640, restauração da Independência. Os Vasconcelos dizem que é hoje. Escolha acertada. A data era feriado, eles transformaram-na num dia igual aos outros. E hoje é um dia igual aos outros. A troika, que também não veio porque já por cá andava com nome de PEC, não se vai embora porque fica o Tratado Orçamental da ultra-austeridade para sempre. Por sua vez, o Tratado Orçamental da ultra-austeridade para sempre fica porque os portugueses sofrem, choram, berram, mas após três anos de humilhações e velhacarias de todas as cores e feitios vão novamente dar 18 dos 21 deputados que Portugal elege para o Parlamento europeu aos três partidos que o aprovaram. E este é o balanço político de três anos de destruição do país. Os três partidos que assinaram o memorando de entendimento com a troika, responsáveis políticos por tudo o que aconteceu depois, irão manter ou até aumentar o número de mandatos no PE. O sinal que os portugueses querem deixar-lhes na eleição que, tudo o indica, quer votando, quer abstendo-se, vão fazer igual a todas as anteriores, contém uma mensagem muito forte: obrigado por tudo, podem continuar. E eles vão continuar enquanto tiverem a garantia que continuam a ter de que o poder não foge. Anda para aí a circular uma criação humorística que dá pelo nome "Partido Obrigado Troika (POT)". Fora de brincadeiras, e se hoje não fosse um dia igual aos outros já estaríamos para lá de fartos de deixar que brinquem com as nossas vidas, não seria POT, seria POP. E assim termino. Obrigado, portugueses. Aos que desistem, é a troika e são os troikos que lhes agradecem a cumplicidade que tornou possível toda a paz destes dias invariavelmente iguais no sempre a perder. Da minha parte, o meu obrigado dirijo-o aos portugueses que resistem. A troika não fomos nós.

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